Este era o slogan patente numa camioneta que vi hoje. Por baixo aparecia uma imagem de crianças vestidas todas da mesma forma, pelo que se imaginava que fosse uma loja de roupa infantil. Certo.
Mas se pusessem um slogan a dizer "Os Portugueses gostam de crianças", até podiam pôr uma fotografia do papa por baixo, que iam todos pensar em porcarias.
sexta-feira, março 30, 2007
quinta-feira, março 29, 2007
27. Curva à direita (2ªparte)
Depois da chuva aparecem as coisas mais estranhas à superfície. Depois da estranha vitória do Salazar como o maior português de sempre (pela mesma lógica de ideias, Camões seria um sério candidato ao maior ditador português de sempre), apareceu um caramelo de extrema direita a querer mandar os imigrantes para a terra deles. No cartaz alguém já tinha atirado um balde de tinta "castanha". Seria mesmo tinta?
26. Terra Virtual
Por motivos pessoais, sigo de perto os fenómenos informáticos, e interesso-me particularmente com a rapidez com que as pessoas que usam apenas a informática como hobby ou diversão aderem a novidades. Exemplos disso temos o messenger, o correio electrónico e o browser. Um dos últimos fenómenos foi o Googleearth (e digo dos últimos em sentido figurado, porque a coisa já tem uns tempitos...), que pegou com a velocidade de um F1. De um momento para o outro passámos a ouvir com alguma frequência algo como "onde é que fica a minha casa?".
O universo dos googleearth maniacos podem dividir-se em dois grandes grupos: os que só querem ver as suas casas e arredores, e os que, como eu, gosto de ver tudo. Imaginar trajectos pitorescos e fazer viagens virtuais sem gastar um tusto...
Dessas viagens guardo recordações também virtuais. Londes e Paris são fantásticas, sendo Paris uma cidade extremamente cinzenta vista de cima. Lisboa tem também os seus encantos. Aconselho uma visita ao Colombo, que é fabuloso visto de cima. Outro sítio deslumbrante é a cidade proibida em Pequim, e de uma forma geral toda a costa chinesa.
Se tiverem oportunidade, vejam os arredores das cidades Americanas, aqueles subúrbios de casas todas iguais que vemos nos filmes, tão iguais que parece impossível os moradores não se enganarem na casa e só darem por ela quando disserem "Querida, cheguei..."
Vistos do alto, e pelo menos aqueles que eu vi, apercebemo-nos que as ruas desses subúrbios não são direitas, parecem as linhas das cascas dos caracois. E todas com um aspecto ordenado, a contrastar com o nosso caos urbanístico, onde cada um constrói o que lhe apetece onde apetece.
De qualquer forma, um muito obrigado aos senhores que tiveram esta ideia - graças a eles eu posso dizer "eu estive lá". Virtualmente falando.
O universo dos googleearth maniacos podem dividir-se em dois grandes grupos: os que só querem ver as suas casas e arredores, e os que, como eu, gosto de ver tudo. Imaginar trajectos pitorescos e fazer viagens virtuais sem gastar um tusto...
Dessas viagens guardo recordações também virtuais. Londes e Paris são fantásticas, sendo Paris uma cidade extremamente cinzenta vista de cima. Lisboa tem também os seus encantos. Aconselho uma visita ao Colombo, que é fabuloso visto de cima. Outro sítio deslumbrante é a cidade proibida em Pequim, e de uma forma geral toda a costa chinesa.
Se tiverem oportunidade, vejam os arredores das cidades Americanas, aqueles subúrbios de casas todas iguais que vemos nos filmes, tão iguais que parece impossível os moradores não se enganarem na casa e só darem por ela quando disserem "Querida, cheguei..."
Vistos do alto, e pelo menos aqueles que eu vi, apercebemo-nos que as ruas desses subúrbios não são direitas, parecem as linhas das cascas dos caracois. E todas com um aspecto ordenado, a contrastar com o nosso caos urbanístico, onde cada um constrói o que lhe apetece onde apetece.
De qualquer forma, um muito obrigado aos senhores que tiveram esta ideia - graças a eles eu posso dizer "eu estive lá". Virtualmente falando.
quarta-feira, março 28, 2007
25. Curva à direita
Embora sendo conterrâneo de Salazar, não é por isso que deixo de condenar a sua vitória como o maior Português de Sempre no programa que deu na RTP1 no último domingo, da mesma forma que não faço uma festa sempre que estou no estrangeiro e me cruzo com um Português - se estivesse em Portugal se calhar nem um Bom Dia trocariamos, mas como estamos numa terra estranha, subitamente somos bons amigos.
A dita vitória, onde conseguiu 41% da votação por telefone, sendo que o segundo colocado, Álvaro Cunhal, não passou dos 17%, segundo creio, é algo tão complexo como a estupidez do referido programa - que mesmo assim fez subir as audiências da RTP. Salazar só ganhou por dois motivos simples: o primeiro deriva de uma tentativa das pessoas de manifestarem o seu desagrado com o regime actual, sucumbindo a uma amnésia selectiva - esquecem-se de que o Antigo Regime foi uma época muito mais austera do que a actual, sem qualquer respeito pela liberdade pessoal das pessoas. 33 anos passados do 25 de Abril, as pessoas esquecem-se o que é viver num regime ditatorial, porque tomam a sua liberdade como algo garantido. As únicas duas coisas favoráveis a Salazar foi o de ter equilibrado as nossas finanças numa altura em que todos os outros países eram afastados por uma crise devastadora, e também pelo facto de ter conseguido a nossa neutralidade.
Em segundo lugar, acredito que Salazar só ganhou porque todos os radicais de direita e outros saudosistas que existem neste país deven ter votado em força, tal como a grande maioria dos comunistas votaram em Cunhal, o que o colocou no segundo lugar do pódio.
Num inquérito independente ao qual responderam cerca de 2000 pessoas, creio que ganhou o D.Afonso Henriques, o qual talvez não tendo uma personalidade muito diferente da de Salazar no que toca à forma de dominar o povo, pelo menos deixou uma obra que será lembrada para sempre de uma forma positiva.
Outro facto interessante, Camões e Pessoa, únicos representantes da cultura, tiveram votações baixissimas, o que espelha a consideração que o português tem pelo seu legado cultural.
E nos outros países, como correu este tipo de votação? Nos Estados Unidos ganhou Ronald Reagan, na Inglaterra Churchill, na França Charles de Gaulle. À excepção da votação dos Estados Unidos, concordo com as votações de Churchill, sem o qual o resultado da segunda guerra mundial teria sido muito diferente, e De Gaulle.
Ponto positivo desta polémica, ter visto a reacção colérica da Odete Santos, em grande pose teatral a afirmar "A apologia do fascismo é proibida pela constituição".
Ponto muito negativo: é triste estarmos todos a pagar para a triste figura que a nossa televisão pública faz. Deixemos esses papeis rídiculos às Sics e TVIs, que é para isso que aí estão, para distrair o povinho.
E mais nada!...
A dita vitória, onde conseguiu 41% da votação por telefone, sendo que o segundo colocado, Álvaro Cunhal, não passou dos 17%, segundo creio, é algo tão complexo como a estupidez do referido programa - que mesmo assim fez subir as audiências da RTP. Salazar só ganhou por dois motivos simples: o primeiro deriva de uma tentativa das pessoas de manifestarem o seu desagrado com o regime actual, sucumbindo a uma amnésia selectiva - esquecem-se de que o Antigo Regime foi uma época muito mais austera do que a actual, sem qualquer respeito pela liberdade pessoal das pessoas. 33 anos passados do 25 de Abril, as pessoas esquecem-se o que é viver num regime ditatorial, porque tomam a sua liberdade como algo garantido. As únicas duas coisas favoráveis a Salazar foi o de ter equilibrado as nossas finanças numa altura em que todos os outros países eram afastados por uma crise devastadora, e também pelo facto de ter conseguido a nossa neutralidade.
Em segundo lugar, acredito que Salazar só ganhou porque todos os radicais de direita e outros saudosistas que existem neste país deven ter votado em força, tal como a grande maioria dos comunistas votaram em Cunhal, o que o colocou no segundo lugar do pódio.
Num inquérito independente ao qual responderam cerca de 2000 pessoas, creio que ganhou o D.Afonso Henriques, o qual talvez não tendo uma personalidade muito diferente da de Salazar no que toca à forma de dominar o povo, pelo menos deixou uma obra que será lembrada para sempre de uma forma positiva.
Outro facto interessante, Camões e Pessoa, únicos representantes da cultura, tiveram votações baixissimas, o que espelha a consideração que o português tem pelo seu legado cultural.
E nos outros países, como correu este tipo de votação? Nos Estados Unidos ganhou Ronald Reagan, na Inglaterra Churchill, na França Charles de Gaulle. À excepção da votação dos Estados Unidos, concordo com as votações de Churchill, sem o qual o resultado da segunda guerra mundial teria sido muito diferente, e De Gaulle.
Ponto positivo desta polémica, ter visto a reacção colérica da Odete Santos, em grande pose teatral a afirmar "A apologia do fascismo é proibida pela constituição".
Ponto muito negativo: é triste estarmos todos a pagar para a triste figura que a nossa televisão pública faz. Deixemos esses papeis rídiculos às Sics e TVIs, que é para isso que aí estão, para distrair o povinho.
E mais nada!...
terça-feira, março 20, 2007
24. O umbigo da Claudia Schiffer
Esta vai ser uma rapidinha. Gostava de perguntar a quem de direito a razão pela qual este país está sempre tão desejoso de "atrair capital estrangeiro". Portugal não tem grandes recursos que seduzam investidores que não seja a mão de obra barata com mais qualidade que existe no mundo. Conforme dizem os especialistas, o Português está entre os melhores no que toca a trabalhar. Pelo menos quando trabalham lá fora, não tenho dúvida nenhuma, suam as estopinhas e não se importam de fazer sacrifícios, porque sabem que vale a pena - se querem comprar um carrito, uma casa ou montar um café ou um supermercado aqui têm de o fazer.
Mas o problema é que o investidor quer apenas mão de obra barata. Se a encontra noutro sítio, não vê grandes inconvenientes em mudar de localização.
Por outro lado, este país tem uma localização periférica na Europa. Tem dois grandes portos (Leixões e Lisboa), que estão entre os mais caros da Europa - o que é ridiculo para um país que podia fazer da sua localização estratégica (Africa, América do Norte, América do Sul, Mediterrâneo) uma mais valia.
Por isso, porque não nos concentramos em apoiar as iniciativas locais, dos empresários locais, devidamente preparados para enfrentar os desafios do mercado global e sem a mentalidade de "chico-esperto", de desenrasca. Vamos produzir, vamos explorar o único recurso que resta a este país, que são as suas gentes. Partamos de novo ao desconhecido como fizeram os nossos antepassados. Temos um potencial enorme para servirmos de intermediários entre o Brasil, Angola, Moçambique, e o resto da Europa, o que estamos à espera?
Portugal é como o umbigo da Cláudia Schiffer - pode ser o umbigo mais interessante do mundo, mas não passa disso, e há coisas mais interessantes à volta para explorar.
Mas o problema é que o investidor quer apenas mão de obra barata. Se a encontra noutro sítio, não vê grandes inconvenientes em mudar de localização.
Por outro lado, este país tem uma localização periférica na Europa. Tem dois grandes portos (Leixões e Lisboa), que estão entre os mais caros da Europa - o que é ridiculo para um país que podia fazer da sua localização estratégica (Africa, América do Norte, América do Sul, Mediterrâneo) uma mais valia.
Por isso, porque não nos concentramos em apoiar as iniciativas locais, dos empresários locais, devidamente preparados para enfrentar os desafios do mercado global e sem a mentalidade de "chico-esperto", de desenrasca. Vamos produzir, vamos explorar o único recurso que resta a este país, que são as suas gentes. Partamos de novo ao desconhecido como fizeram os nossos antepassados. Temos um potencial enorme para servirmos de intermediários entre o Brasil, Angola, Moçambique, e o resto da Europa, o que estamos à espera?
Portugal é como o umbigo da Cláudia Schiffer - pode ser o umbigo mais interessante do mundo, mas não passa disso, e há coisas mais interessantes à volta para explorar.
segunda-feira, março 19, 2007
23. Burrocracia
Sucedeu algumas semanas atrás. Um cozinheiro alemão residente há alguns anos no nosso país suicida-se depois de mais um problema burocrático no arranque de um restaurante no Algarve.
Depois de seis anos a lutar para abrir um restaurante, Frank-Peter Marcischewski finalmente tem tudo pronto, faltando apenas levantar o alvará, que segundo informações já estava pronto. Dirigiu-se primeiro às finanças, onde uma funcionária lhe terá dito que não era ali que se levantavam as licenças, mas sim na câmara. Conhecendo os funcionários das finanças como conheço, a informação terá sido dada com todo o respeito e delicadeza.
Depois dirige-se à camâra onde o informam que o alvará não estava no seu nome, mas sim do sócio com o qual tinha iniciado o projecto, pelo que ele ficou na ideia que não conseguiria abrir o restaurante no dia seguinte, como era o seu objectivo. Por causa disso, pegou no carro, foi até Sagres, pagou 3 euros para entrar no promontório como qualquer turista e atirou-se da falésia.
Esta história faz-me pensar na estupidez natural que grassa em alguns dos nossos serviços públicos (atenção senhores e senhoras, gastem algum do vosso tempo para meditar na razão de existir o vosso emprego - serviço público). O mais grave nisto tudo é que podia ser resolvido facilmente, e ele poderia ter aberto o restaurante sem problemas e em poucas semanas ter o seu nome averbado ao alvará.
Depois de seis anos a lutar para abrir um restaurante, Frank-Peter Marcischewski finalmente tem tudo pronto, faltando apenas levantar o alvará, que segundo informações já estava pronto. Dirigiu-se primeiro às finanças, onde uma funcionária lhe terá dito que não era ali que se levantavam as licenças, mas sim na câmara. Conhecendo os funcionários das finanças como conheço, a informação terá sido dada com todo o respeito e delicadeza.
Depois dirige-se à camâra onde o informam que o alvará não estava no seu nome, mas sim do sócio com o qual tinha iniciado o projecto, pelo que ele ficou na ideia que não conseguiria abrir o restaurante no dia seguinte, como era o seu objectivo. Por causa disso, pegou no carro, foi até Sagres, pagou 3 euros para entrar no promontório como qualquer turista e atirou-se da falésia.
Esta história faz-me pensar na estupidez natural que grassa em alguns dos nossos serviços públicos (atenção senhores e senhoras, gastem algum do vosso tempo para meditar na razão de existir o vosso emprego - serviço público). O mais grave nisto tudo é que podia ser resolvido facilmente, e ele poderia ter aberto o restaurante sem problemas e em poucas semanas ter o seu nome averbado ao alvará.
22. Decisões
Tem este post a ver com decisões com comboios. No mês passado uma velhota em Viana caíu na linha de comboio, e sofrendo de artrose não se conseguiu levantar. Esperou bastante tempo à espera de alguém, mas ninguém passou para a ajudar a levantar. Eis se não quando ouve vir o comboio e faz a única coisa que podia para salvar a vida: encolheu-se entre os carris enquanto a locomotiva lhe passava por cima, sobrevivendo sem um raspão.
Comentei este facto com uma senhora de Monção, começando a narrar os factos com um singelo "Ouviu falar naquela senhora que caiu na linha do comboio?", ao que a senhora responde "outra?". Ao que parece uma senhora de nacionalidade brasileira tinha-se suicidado atirando-se à linha do comboio.
Como são mais as pessoas que se suicidam do que as que se salvam, a noticia que saiu em todos os jornais e televisões foi a da velhota, pelo que não deve ter saído em lado nenhum a noticia do suicidio. Se a brasileira tivesse escolhido um meio menos comum, do género trinta machadadas, teria sido primeira página em todos os jornais, e todos quereriam saber as razões que a tinham levado a isso.
Ou seja, e não sendo novidade nenhuma, só é notícia o que salta à vista. Como dizia o Markl, "não é notícia quando o cão morde o homem, mas sim quando o homem morde o cão."
Comentei este facto com uma senhora de Monção, começando a narrar os factos com um singelo "Ouviu falar naquela senhora que caiu na linha do comboio?", ao que a senhora responde "outra?". Ao que parece uma senhora de nacionalidade brasileira tinha-se suicidado atirando-se à linha do comboio.
Como são mais as pessoas que se suicidam do que as que se salvam, a noticia que saiu em todos os jornais e televisões foi a da velhota, pelo que não deve ter saído em lado nenhum a noticia do suicidio. Se a brasileira tivesse escolhido um meio menos comum, do género trinta machadadas, teria sido primeira página em todos os jornais, e todos quereriam saber as razões que a tinham levado a isso.
Ou seja, e não sendo novidade nenhuma, só é notícia o que salta à vista. Como dizia o Markl, "não é notícia quando o cão morde o homem, mas sim quando o homem morde o cão."
terça-feira, março 06, 2007
21. E agora, Hugo?
A Venezuela tem para mim um significado pessoal dado que tenho lá bastante família, pessoas que saíram das ex-colónias para fugir à descolonização apressada que se seguiu ao 25 de Abril. Nessa altura a Venezuela era uma terra rica em recursos, tão rica que os venezuelanos pouco faziam para ganhar o seu sustento, e tão desorganizada que o Portuguesinho se sentia imediatamente em casa. Fartaram-se de abrir padarias e cafés, sempre com o sonho de voltar, mas com a desvalorização monetária que o Bolívar sofreu, chegou um dia em que tiveram de tomar uma decisão, ou voltavam e vinha quase de bolsos vazios, ou ficavam mais uns tempos à espera que a coisa melhorasse lá.
Mas a coisa não melhorou, muito pelo contrário. Entra em cena o único regime de esquerda eleito democraticamente por um povo cego pelas suas promessas - e esquecido do resultado que deu esse tipo de regimes no passado e no presente, na URSS, na China e em Cuba. É pena que essas pessoas que elegeram Chavez não saibam o suficiente sobre a realidade desses países, onde a troco de uma relativa igualdade de riqueza (o que significa que não existem ricos, à excepção dos altos cargos políticos que enriquecem quanto querem).
À diferença de Cuba, com a qual Chavez reivindica uma aliança ilimitada, mas que está isolada numa ilha, demasiadamente próxima dos Estados Unidos para poder exercer a sua influência, a Venezuela está numa posição estratégica para minar todo o norte da América do Sul, e tendo os recursos naturais que dispõe, e principalmente o petróleo, pode facilmente tornar-se uma potência militar, o que tornaria possível o grande sonho de Chavez, ser um segundo Simão Bolívar e conduzir um exército que avançasse até a Argentina, espalhando a sua doutrina aos países deste conturbado continente, cheio de pessoas que muito facilmente o apoiariam. Entretanto os habitantes perdem progressivamente as suas liberdades, conforme os ecos que ouço das pessoas que têm lá família.
E agora, Hugo? Até onde vais, chico?
Mas a coisa não melhorou, muito pelo contrário. Entra em cena o único regime de esquerda eleito democraticamente por um povo cego pelas suas promessas - e esquecido do resultado que deu esse tipo de regimes no passado e no presente, na URSS, na China e em Cuba. É pena que essas pessoas que elegeram Chavez não saibam o suficiente sobre a realidade desses países, onde a troco de uma relativa igualdade de riqueza (o que significa que não existem ricos, à excepção dos altos cargos políticos que enriquecem quanto querem).
À diferença de Cuba, com a qual Chavez reivindica uma aliança ilimitada, mas que está isolada numa ilha, demasiadamente próxima dos Estados Unidos para poder exercer a sua influência, a Venezuela está numa posição estratégica para minar todo o norte da América do Sul, e tendo os recursos naturais que dispõe, e principalmente o petróleo, pode facilmente tornar-se uma potência militar, o que tornaria possível o grande sonho de Chavez, ser um segundo Simão Bolívar e conduzir um exército que avançasse até a Argentina, espalhando a sua doutrina aos países deste conturbado continente, cheio de pessoas que muito facilmente o apoiariam. Entretanto os habitantes perdem progressivamente as suas liberdades, conforme os ecos que ouço das pessoas que têm lá família.
E agora, Hugo? Até onde vais, chico?
domingo, março 04, 2007
20. Futurologia
Um conto de ficção cientifica que li à uns anos atrás falava sobre um arqueólogo no futuro longinquo que descobre as ruínas de um edificio do século XX e que começa a fazer as suposições mais disparatadas sobre a nossa cultura face ao que vai encontrando. Género "os hábitos alimentares baseavam-se em tubos de um material pastoso de nome Colgate".
A minha pergunta é: quantas das nossas suposições sobre o que encontramos das civilizações antigas não serão igualmente ridículas? Não seriam eles infinitamente mais evoluídos do que pensamos e estarem igualmente à frente na reciclagem, pelo que não conseguimos encontrar vestígios de maquinaria evoluida?
A minha pergunta é: quantas das nossas suposições sobre o que encontramos das civilizações antigas não serão igualmente ridículas? Não seriam eles infinitamente mais evoluídos do que pensamos e estarem igualmente à frente na reciclagem, pelo que não conseguimos encontrar vestígios de maquinaria evoluida?
19. Costumes aberrantes
Sou um apaixonado convicto sobre os costumes antigos, e um defensor acérrimo de todos os que insistem em defender os seus costumes, numa época globalizante como a que vivemos.
O que não quer dizer que defenda "todos" os costumes antigos. Alguns deles são aberrantes, como por exemplo os que se seguem:
(1)
Vi o primeiro costume aberrante num programa que deu à décadas, que falava sobre uma tribo da Indonésia, se não me falha a memória. Nesta tribo havia o costume de, numa determinada festa, e caso faltasse a comida, escolhiam um idoso e comiam-no. Isto tem de ser dito com alguma descrição, porque com a crise que aí vai e com a população idosa que tem este país, de aqui a pouco o governo ainda promulga a canibalização obrigatória.
(2)
Um costume mais soft mas mesmo assim aberrante é o da poliandria, praticado antigamente no Tibete. Li sobre isso no livro Sete Anos no Tibete, livro fantástico que nem o Brad Pitt conseguiu estragar com a sua adaptação ao cinema. A poliandria é o contrário da poligamia, ou seja, uma mulher casada com vários homens. Pelo que estava descrito no livro, as propriedades passavam pelo lado feminino das famílias, pelo que uma família com dois filhos, a única forma que tinham de garantir que as terras permaneciam na família era de casar os dois homens com a mesma mulher.
(3)
O Estado Português pretende taxar doações superiores a 500 Euros com 10% de imposto de selo. Isto creio que não fica atrás dos outros costumes aberrantes e fará rir os historiadores no futuro.
O que não quer dizer que defenda "todos" os costumes antigos. Alguns deles são aberrantes, como por exemplo os que se seguem:
(1)
Vi o primeiro costume aberrante num programa que deu à décadas, que falava sobre uma tribo da Indonésia, se não me falha a memória. Nesta tribo havia o costume de, numa determinada festa, e caso faltasse a comida, escolhiam um idoso e comiam-no. Isto tem de ser dito com alguma descrição, porque com a crise que aí vai e com a população idosa que tem este país, de aqui a pouco o governo ainda promulga a canibalização obrigatória.
(2)
Um costume mais soft mas mesmo assim aberrante é o da poliandria, praticado antigamente no Tibete. Li sobre isso no livro Sete Anos no Tibete, livro fantástico que nem o Brad Pitt conseguiu estragar com a sua adaptação ao cinema. A poliandria é o contrário da poligamia, ou seja, uma mulher casada com vários homens. Pelo que estava descrito no livro, as propriedades passavam pelo lado feminino das famílias, pelo que uma família com dois filhos, a única forma que tinham de garantir que as terras permaneciam na família era de casar os dois homens com a mesma mulher.
(3)
O Estado Português pretende taxar doações superiores a 500 Euros com 10% de imposto de selo. Isto creio que não fica atrás dos outros costumes aberrantes e fará rir os historiadores no futuro.
18. Surfing aos setenta
Por vezes existem relatos de pessoas que nos tocam, pessoas que saem da rotina casa-trabalho-filhos-contas por pagar. Entre elas, temos Pedro Lima, que foi um dos pioneiros do Surf em Portugal e que aos setenta ainda é praticante, tanto do surf como de mais um conjunto de modalidades desportivas. Ouvi-o na rádio, no outro dia e deu-me que pensar. Por um lado temos as pessoas que chegam a uma certa idade e se põem numa prateleira, sentindo que não têm mais nada para dar aos outros, que não têm lugar na nossa sociedade. Outros, como o Pedro Lima, recusam-se a entregar as armas e servem de modelo para um perpétuo espírito jovem.
É triste quando na nossa sociedade de consumo onde os Pedros Lima não abundam, se consideram as pessoas de idade como fardos. A ser possível, deveriamos fazer como fazer nas tribos indigenas, onde os anciãos têm lugar de destaque na tomada de decisões, dada a sua maior experiência e pelo facto dos anciãos servirem de veículo de transmissão da sua cultura.
Portanto um grande cumprimento para o Pedro Lima e todos os outros jovens de espírito.
É triste quando na nossa sociedade de consumo onde os Pedros Lima não abundam, se consideram as pessoas de idade como fardos. A ser possível, deveriamos fazer como fazer nas tribos indigenas, onde os anciãos têm lugar de destaque na tomada de decisões, dada a sua maior experiência e pelo facto dos anciãos servirem de veículo de transmissão da sua cultura.
Portanto um grande cumprimento para o Pedro Lima e todos os outros jovens de espírito.
17. Discussões Teológicas à Lareira
Dizia um livro sobre boas maneiras que existem temas que não devem ser abordados à mesa, como por exemplo a política, desporto e religião. O que deixa muita margem de manobra. Quanto à religião tive um exemplo prático disso na semana passada.
Mas vamos por parte. Sou Católico de pai e mãe, não praticante por opção. Já li a Biblia, e reconheço da importância da mensagem contida tanto no velho testamento como no novo testamento. Acredito na existência de Deus, mas sou contra as religiões institucionalizadas. A experiência de Deus deve ser vivida interiormente, como algo intímo. Não sinto a necessidade de ritualizar essa experiência numa Igreja qualquer. No entanto as minhas convicções não me proibem de fazer com que a minha filha frequente a catequese, onde sou sistematica e quase violentamente repreendido por não ser praticante. Existe ou não neste país o direito à liberdade religiosa? Nessa perspectiva, tenho ou não o direito de viver Deus como eu quiser?
Claro que fazer a catequista da minha filha entender isto, creio que é coisa que só uma lobotomia resolveria.
Porque a questão central sobre a religião é: se existe Deus e é único porque razão existem tantas religiões, cada uma progagando a Verdade? Se é verdade que o Deus das três religiões principais, o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo, é o mesmo, porque razão divergem tanto (pelo menos o Islamismo das outras duas).
De qualquer forma, esta discussão veio à baila durante um jantar em família. A minha sogra, já próxima dos sessenta anos e com uma fé inabalável, defendia a sua forma de ver os mistérios da fé e em concreto da Virgem, tecendo teorias fariam corar qualquer ateu de vergonha.
A meio da discussão, vejo-me na obrigação de repôr a verdade dos facto segundo o que me lembrava, fazendo depois uma referência sobre a minha forma crítica de ver a Igreja. A meio, e vendo a pobre senhora completamente agoniada, depreendi que quem escrevera o livro a recomendar que não se tocasse no assunto da religião à mesa estava certo. Mais: crescera em mim um certo sentimento de culpa - que justificação moral tinha em estar ali a destruir as convicções religiosas de alguém, que tinha a liberdade religiosa que eu tanto prezava?
Que importava em estar para alí a explicar que não existiam duas entidades "Virgem Maria" e "Nossa Senhora de Fátima", mas que se referiam à mesma entidade? Até podiam ser três entidades, eu não tinha o direito de me meter nas convicções religiosas de alguém, pelo mesmo motivo pelo qual eu não tenho o direito de ir para dentro do campo no meio de um jogo de futebol, não reuno nenhuma das caracteristicas que me fariam entrar a meio do jogo, a saber: não gosto de apitar, sou um péssimo jogador e a nudez não me favorece.
Mas vamos por parte. Sou Católico de pai e mãe, não praticante por opção. Já li a Biblia, e reconheço da importância da mensagem contida tanto no velho testamento como no novo testamento. Acredito na existência de Deus, mas sou contra as religiões institucionalizadas. A experiência de Deus deve ser vivida interiormente, como algo intímo. Não sinto a necessidade de ritualizar essa experiência numa Igreja qualquer. No entanto as minhas convicções não me proibem de fazer com que a minha filha frequente a catequese, onde sou sistematica e quase violentamente repreendido por não ser praticante. Existe ou não neste país o direito à liberdade religiosa? Nessa perspectiva, tenho ou não o direito de viver Deus como eu quiser?
Claro que fazer a catequista da minha filha entender isto, creio que é coisa que só uma lobotomia resolveria.
Porque a questão central sobre a religião é: se existe Deus e é único porque razão existem tantas religiões, cada uma progagando a Verdade? Se é verdade que o Deus das três religiões principais, o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo, é o mesmo, porque razão divergem tanto (pelo menos o Islamismo das outras duas).
De qualquer forma, esta discussão veio à baila durante um jantar em família. A minha sogra, já próxima dos sessenta anos e com uma fé inabalável, defendia a sua forma de ver os mistérios da fé e em concreto da Virgem, tecendo teorias fariam corar qualquer ateu de vergonha.
A meio da discussão, vejo-me na obrigação de repôr a verdade dos facto segundo o que me lembrava, fazendo depois uma referência sobre a minha forma crítica de ver a Igreja. A meio, e vendo a pobre senhora completamente agoniada, depreendi que quem escrevera o livro a recomendar que não se tocasse no assunto da religião à mesa estava certo. Mais: crescera em mim um certo sentimento de culpa - que justificação moral tinha em estar ali a destruir as convicções religiosas de alguém, que tinha a liberdade religiosa que eu tanto prezava?
Que importava em estar para alí a explicar que não existiam duas entidades "Virgem Maria" e "Nossa Senhora de Fátima", mas que se referiam à mesma entidade? Até podiam ser três entidades, eu não tinha o direito de me meter nas convicções religiosas de alguém, pelo mesmo motivo pelo qual eu não tenho o direito de ir para dentro do campo no meio de um jogo de futebol, não reuno nenhuma das caracteristicas que me fariam entrar a meio do jogo, a saber: não gosto de apitar, sou um péssimo jogador e a nudez não me favorece.
16. O regresso de Chuckie
Não, não vou escrever uma crónica sobre o Chuckie, o boneco assassino (creio que é assim que se chama). Creio que nunca vi semelhante filme. Se vi, não me recordo, o que diz tudo sobre o filme.
Vou falar sobre os anos oitenta, jogos e ilustres desconhecidos.
Quem quer que tenha passado pela fase da adolescência nos anos oitenta jogou de certeza num Spectrum. Todos tinham ou pelo menos conheciam alguém que tinha um Spectrum, e os jogos era conhecidos por todos. Os fãs dividiam-se entre os jogadores, que pegavam num jogo e não desistiam enquanto não o acabavam, pegando depois em outro e por aí adiante, e nos utilizadores que queriam saber como a máquina funcionava. É dificil hoje em dia explicarmos o fascinio que tinha um computador com menos possibilidades que os telemóveis actuais, mas um adolescente na altura tinha a noção de que podia criar jogos e vendê-los. A minha cabeça na altura estava cheia de histórias de rapazes que lia nas revistas, que tinham criado um jogo fabuloso e que tinham ganho muito dinheiro com isso. Por mais que tentasse nunca consegui chegar lá, por muito boas que fossem as minhas ideias, nunca consegui criar nada com a qualidade necessária para ter coragem de mandar para o mercado.
Vinte e cinco anos depois, deparo-me por acaso com a biografia de Nigel Alderton, que aos 16 anos cria o jogo Chuckie Egg, uma ideia simples para um jogo de plataformas que puxava a destreza dos jogadores ao limite e que é ainda hoje um marco na história dos jogos - são raros aqueles jogos que causam o mesmo vicio. Lembro-me de passar as férias de Verão com os amigos a jogar Chuckie, organizando campeonatos que duravam tarde inteiras. De qualquer forma, deparei-me ontem na internet com a história de Nigel, um rapaz inglês que criou o Chuckie e que vendeu a ideia à A&F, uma das muitas empresas que comercializavam jogos na altura.
Nigel fez-me lembrar dos meus sonhos da altura, e como não foram realizados. No artigo que li, apercebi-me de dois factores que levaram a que não tivesse tido sucesso. O primeiro prende-se com o facto de que os amigos de Nigel eram também programadores. É mais fácil conseguirmos um objectivo quando estamos rodeados de pessoas com os mesmos interesses e com os quais podemos partilhar descobertas. Eu estava sozinho e mesmo aqueles que poderiam criar alguma coisa não estavam dispostos a isso - dava muito trabalho e em Portugal não havia um mercado para comercializar o produto. E este é o segundo ponto. Nem nessa altura havia empresas apostadas em pegar em ideias de jovens e comercializa-las. Hoje em dia o panorama melhorou, principalmente porque a Internet abriu os mercados. É mais fácil um programador português colaborar com uma empresa de um outro país do que na altura.
Depois do Chuckie, Nigel criou o Commando, uma versão em formato jogo do filme com o mesmo nome, que fez algum sucesso mas nada que parecesse o sucesso que teve a sua ideia original. Depois disso desapareceu do mapa. Não encontro nada sobre ele na Internet.
Quantos programadores este país não terá perdido porque não havia ninguém decidido a apostar neles?
Mais do que combater o deficit com medidas castrantes, porque não promover a criatividade individual daqueles que querem criar algo para fazermos aumentar o PIB e deixarmos de ser tão dependentes das ideias dos outros que estão lá fora têm?
Vou falar sobre os anos oitenta, jogos e ilustres desconhecidos.
Quem quer que tenha passado pela fase da adolescência nos anos oitenta jogou de certeza num Spectrum. Todos tinham ou pelo menos conheciam alguém que tinha um Spectrum, e os jogos era conhecidos por todos. Os fãs dividiam-se entre os jogadores, que pegavam num jogo e não desistiam enquanto não o acabavam, pegando depois em outro e por aí adiante, e nos utilizadores que queriam saber como a máquina funcionava. É dificil hoje em dia explicarmos o fascinio que tinha um computador com menos possibilidades que os telemóveis actuais, mas um adolescente na altura tinha a noção de que podia criar jogos e vendê-los. A minha cabeça na altura estava cheia de histórias de rapazes que lia nas revistas, que tinham criado um jogo fabuloso e que tinham ganho muito dinheiro com isso. Por mais que tentasse nunca consegui chegar lá, por muito boas que fossem as minhas ideias, nunca consegui criar nada com a qualidade necessária para ter coragem de mandar para o mercado.
Vinte e cinco anos depois, deparo-me por acaso com a biografia de Nigel Alderton, que aos 16 anos cria o jogo Chuckie Egg, uma ideia simples para um jogo de plataformas que puxava a destreza dos jogadores ao limite e que é ainda hoje um marco na história dos jogos - são raros aqueles jogos que causam o mesmo vicio. Lembro-me de passar as férias de Verão com os amigos a jogar Chuckie, organizando campeonatos que duravam tarde inteiras. De qualquer forma, deparei-me ontem na internet com a história de Nigel, um rapaz inglês que criou o Chuckie e que vendeu a ideia à A&F, uma das muitas empresas que comercializavam jogos na altura.
Nigel fez-me lembrar dos meus sonhos da altura, e como não foram realizados. No artigo que li, apercebi-me de dois factores que levaram a que não tivesse tido sucesso. O primeiro prende-se com o facto de que os amigos de Nigel eram também programadores. É mais fácil conseguirmos um objectivo quando estamos rodeados de pessoas com os mesmos interesses e com os quais podemos partilhar descobertas. Eu estava sozinho e mesmo aqueles que poderiam criar alguma coisa não estavam dispostos a isso - dava muito trabalho e em Portugal não havia um mercado para comercializar o produto. E este é o segundo ponto. Nem nessa altura havia empresas apostadas em pegar em ideias de jovens e comercializa-las. Hoje em dia o panorama melhorou, principalmente porque a Internet abriu os mercados. É mais fácil um programador português colaborar com uma empresa de um outro país do que na altura.
Depois do Chuckie, Nigel criou o Commando, uma versão em formato jogo do filme com o mesmo nome, que fez algum sucesso mas nada que parecesse o sucesso que teve a sua ideia original. Depois disso desapareceu do mapa. Não encontro nada sobre ele na Internet.
Quantos programadores este país não terá perdido porque não havia ninguém decidido a apostar neles?
Mais do que combater o deficit com medidas castrantes, porque não promover a criatividade individual daqueles que querem criar algo para fazermos aumentar o PIB e deixarmos de ser tão dependentes das ideias dos outros que estão lá fora têm?
domingo, fevereiro 25, 2007
15. Talento ou Não Talento, eis a questão
Sempre me perguntei que coisa misteriosa será essa do talento. Salvo expepções, todos temos duas pernas, dois braços e uma cabeça. Somos divididos em dois grandes grupos, homens e mulheres. Podemos ser brancos, negros, vermelhos ou amarelos. Mas no que realmente interessa, somos todos iguais.
E mesmo assim só existe um punhado de pessoas a quem reconhecemos uma qualidade única a que chamamos talento. Uma qualidade que os faz sobressair dos demais, que fazem tudo, que se esforçam até cair para o lado, mas que nunca chegam lá.
Vem isto a propósito de uma conversa que tive com uma pessoa que conhecia um futebolista que tinha passado pela escola do Sporting e que tinha sido colega do Cristiano Ronaldo. Dizia ele, das centenas de rapazes que passavam por lá, só alguns tinham o talento do Cristiano. Pelo que já li sobre o Cristiano, ele só pensa numa e numa única coisa, na bola. Nos treinos era sempre o que se esforçava mais, porque fazia a única coisa que gostava. E esta é uma qualidade de quem cultiva um determinado talento, porque acredito que o talento, embora exista, tem de ser cultivado, tem de poder crescer.
Portugal só é um país de grandes futebolistas porque é um desporto barato e que pode ser começado cedo sem grande esforço financeiro. Somos um país de grandes corredores e ciclistas pelo mesmo motivo, mas já não temos grandes tenistas nem golfistas. Pelo menos que sejam capazes de competir ao mais alto nível.
Nos outros campos passa-se exactamente o mesmo. São muito poucos os talentos reconhecidos neste país porque são poucos os que conseguem fazer crescer o seu talento. Normalmente só se torna realmente bom quem vai para fora, e não vejo em que isso favoreça o nosso país - pelo contrário.
Curiosamente, poucos dias depois desta conversa deu um programa num sobre antigos futebolistas, talentos promissores há dez anos atrás que por algum motivo sairam do futebol ou foram para equipas menores. Muitos deles colegas do Cristiano.
O caso mais triste era o do guarda-redes, de quem já não me recordo o nome, e que em 2000, tinha o sonho de estar na baliza de uma grande equipa. Em 2007 está detido, no 3º ano de uma pena por assalto à mão armada. Segundo ele, bastou uma decisão mal tomada, um enveredar por más companhias, para se perder um sonho. Resta-lhe o facto de ser guarda-redes no campeonato prisional.
E mesmo assim só existe um punhado de pessoas a quem reconhecemos uma qualidade única a que chamamos talento. Uma qualidade que os faz sobressair dos demais, que fazem tudo, que se esforçam até cair para o lado, mas que nunca chegam lá.
Vem isto a propósito de uma conversa que tive com uma pessoa que conhecia um futebolista que tinha passado pela escola do Sporting e que tinha sido colega do Cristiano Ronaldo. Dizia ele, das centenas de rapazes que passavam por lá, só alguns tinham o talento do Cristiano. Pelo que já li sobre o Cristiano, ele só pensa numa e numa única coisa, na bola. Nos treinos era sempre o que se esforçava mais, porque fazia a única coisa que gostava. E esta é uma qualidade de quem cultiva um determinado talento, porque acredito que o talento, embora exista, tem de ser cultivado, tem de poder crescer.
Portugal só é um país de grandes futebolistas porque é um desporto barato e que pode ser começado cedo sem grande esforço financeiro. Somos um país de grandes corredores e ciclistas pelo mesmo motivo, mas já não temos grandes tenistas nem golfistas. Pelo menos que sejam capazes de competir ao mais alto nível.
Nos outros campos passa-se exactamente o mesmo. São muito poucos os talentos reconhecidos neste país porque são poucos os que conseguem fazer crescer o seu talento. Normalmente só se torna realmente bom quem vai para fora, e não vejo em que isso favoreça o nosso país - pelo contrário.
Curiosamente, poucos dias depois desta conversa deu um programa num sobre antigos futebolistas, talentos promissores há dez anos atrás que por algum motivo sairam do futebol ou foram para equipas menores. Muitos deles colegas do Cristiano.
O caso mais triste era o do guarda-redes, de quem já não me recordo o nome, e que em 2000, tinha o sonho de estar na baliza de uma grande equipa. Em 2007 está detido, no 3º ano de uma pena por assalto à mão armada. Segundo ele, bastou uma decisão mal tomada, um enveredar por más companhias, para se perder um sonho. Resta-lhe o facto de ser guarda-redes no campeonato prisional.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
14. 3x7=21
Primeiro post de 2007. Ter pouco tempo dá nisto. Só ganhei vontade de escrever quando ouvi uma versão techno da "Silent Night". Embora em Fevereiro, senti-me a acordar de uma longa letargia e dizer "Porra, tenho de postar alguma coisa antes do fim do ano!"
Portanto lá vai, e desta vez voltamos à matemática e aos números estranhos. No ano passado, tivemos em Junho o dia 6. Conforme é tradicional - todos os anos existe um dia 6, mas o dia 6 de Junho de 2006 é , segundo dizem, especial. Na bíblia é o número da besta, o que significa que havia uma grande probabilidade de o mundo acabar. Mas não. O único facto realmente importante que aconteceu nesse dia é que coincide com a data de emissão do meu Bilhete de Identidade. Se isto tem a ver com alguma premonição ou não, nunca saberei (ah ah ah! - gargalhada sinistra).
Em 2007, teremos o menos fatídico 7-7-7, que será também lembrado por dois factos lendários: o dia do casamento da minha prima e o lançamento do 7º livro e último livro da saga do Harry Potter. O que os dois acontecimentos têm comum? Duas mulheres que escolheram uma forma simples de nunca ninguém se esquecer do dia mais importante das suas vidas.
Portanto lá vai, e desta vez voltamos à matemática e aos números estranhos. No ano passado, tivemos em Junho o dia 6. Conforme é tradicional - todos os anos existe um dia 6, mas o dia 6 de Junho de 2006 é , segundo dizem, especial. Na bíblia é o número da besta, o que significa que havia uma grande probabilidade de o mundo acabar. Mas não. O único facto realmente importante que aconteceu nesse dia é que coincide com a data de emissão do meu Bilhete de Identidade. Se isto tem a ver com alguma premonição ou não, nunca saberei (ah ah ah! - gargalhada sinistra).
Em 2007, teremos o menos fatídico 7-7-7, que será também lembrado por dois factos lendários: o dia do casamento da minha prima e o lançamento do 7º livro e último livro da saga do Harry Potter. O que os dois acontecimentos têm comum? Duas mulheres que escolheram uma forma simples de nunca ninguém se esquecer do dia mais importante das suas vidas.
sábado, dezembro 02, 2006
13. Crónicas de um Mau Português
Não reuno os pré-requisitos para ser um bom Português. Senão vejamos: em primeiro lugar, não cuspo nem deito lixo para o chão. Claro que o Português também não o faz, atira para o ar, e qualquer coisa estranha atira o lixo e o escarro para o pavimento. Dizem que é a lei da gravidez, mas não acredita... e além disso a culpa é sempre dos outros...
Em segundo lugar, e para espanto de muitos, nunca fui ao Algarve (sim, sou eu...). Conheço Portugal de Norte a Sul, mas nunca passei de Odemira. E sim, continuo vivo. Se calhar até para os Ingleses e Alemães devo ser um fenómeno.
Em terceiro lugar, e também para espanto de muitos, e a falha mais grave apontada, é o facto de ligar pouco ao futebol. Enquanto que o Português médio sabe todas as estatísticas sobre todas as equipas desde a super-liga até ao campeonato regional. É genético. O interesse pela bola varia consoante o interesse dos próprios pais (e não digo aqui "pai", porque existem mulher doidas pela bola, poucas, é certo, mas é como dizem das bruxas, "pero que las ay, ay...").
Sou Benfiquista porque desde a escola ficou bem claro que perderia precocemente os dentes caso não fosse de uma equipa qualquer, alinhando pela claque mariquinhas. Mais por isso do que por outra coisa quaquer, escolhi uma equipa do cardápio - naturalmente a que estava a ganhar o campeonato. Se repararmos coneguimos à partida definir a opção clubistica de alguém pelo seu escalão etário ( a ser verdade, o Benfica arrisca-se a ser um clube do 8 e dos 88 anos).
Vou contar as minhas idas ao futebol. Aquilo que encheria várias bíblias no português dito "normal", no meu caso resumen-se a 2 parágrafos.
Fui a primeira vez ao futebol ao velhinho estádio da luz, Benfica - F.C.P., Super-taça Cândido de Oliveira. Fomos numa carrinha de emigrantes, eramos 13, eu devia andar pelos meus 15 anos. Estacionámos a carrinha em frente ao estádio e como bons portugueses "abancámos" ali mesmo. Puxámos de um assador de 4 pernas ao qual faltava a 4ª perna e que por isso equilibramos em cima de uma pedra e escolhemos uma vítima para assar as ditas febras. Tudo correu bem enquanto o tipo encarregado de vigiar o assador não virou costas. Assim que o fez o assador tombou e como a relva estava seca pegou fogo de imediato. Cena seguinte, todos feitos malucos para impedir que o fogo chegasse aos outros carros.
Outras impressões desse dia: a grandiosidade do estádio, um maluquinho do Porto sentado no meio da claque do Benfica que se levantava aos berros sempre que o Porto partia para o ataque (havia formas mais simpáticas de cometer suícidio, mas aquilo era para a Super-taça, pelo que era a feijões). No fim ajudámos uma senhora a sair do parque de estacionamento. Pegando literalmente no carro em mãos, com a senhora lá dentro. Neste momento ela deve estar a contar a experiência no seu próprio blog (ou talvez não, é capaz de haver coisas mais interessantes para fazer a esta hora, como dormir).
Na minha segunda ida, o destino foi o estádio novo do Braga, com o meu patrão acompanhado pelo pai e um amigo, ambos com problemas de saúde. Já não consegui ficar em frente ao estádio, mas sim a quase 2 Km de distância, mas havia outras diferenças nítidas. A primeira é que o estádio do Braga não tem a oponência do estádio da luz. Falem o que falarem, mas o estádio é feio e não proporciona um bom espectáculo. Original talvez seja. Depois tivemos de subir quase um monte todo até chegarmos à entrada.
A parte hilariante foi que na descida, com milhares de pessoas a descer, deixei cair a chave do carro no caminho. Como sempre, uma pessoa só sabe das más notícias no fim, quando cheguei ao carro que tinha ficado quase a 2 km. Voltei para trás (e neste momento o pessoal já tinha ido todo embora), encontrei a chave no caminho por onde tinham passado quase 20000 pessoas e voltei para trás outros 2 km. Ainda dizem que assistir a jogos de futebol não cansa, safa!
Em segundo lugar, e para espanto de muitos, nunca fui ao Algarve (sim, sou eu...). Conheço Portugal de Norte a Sul, mas nunca passei de Odemira. E sim, continuo vivo. Se calhar até para os Ingleses e Alemães devo ser um fenómeno.
Em terceiro lugar, e também para espanto de muitos, e a falha mais grave apontada, é o facto de ligar pouco ao futebol. Enquanto que o Português médio sabe todas as estatísticas sobre todas as equipas desde a super-liga até ao campeonato regional. É genético. O interesse pela bola varia consoante o interesse dos próprios pais (e não digo aqui "pai", porque existem mulher doidas pela bola, poucas, é certo, mas é como dizem das bruxas, "pero que las ay, ay...").
Sou Benfiquista porque desde a escola ficou bem claro que perderia precocemente os dentes caso não fosse de uma equipa qualquer, alinhando pela claque mariquinhas. Mais por isso do que por outra coisa quaquer, escolhi uma equipa do cardápio - naturalmente a que estava a ganhar o campeonato. Se repararmos coneguimos à partida definir a opção clubistica de alguém pelo seu escalão etário ( a ser verdade, o Benfica arrisca-se a ser um clube do 8 e dos 88 anos).
Vou contar as minhas idas ao futebol. Aquilo que encheria várias bíblias no português dito "normal", no meu caso resumen-se a 2 parágrafos.
Fui a primeira vez ao futebol ao velhinho estádio da luz, Benfica - F.C.P., Super-taça Cândido de Oliveira. Fomos numa carrinha de emigrantes, eramos 13, eu devia andar pelos meus 15 anos. Estacionámos a carrinha em frente ao estádio e como bons portugueses "abancámos" ali mesmo. Puxámos de um assador de 4 pernas ao qual faltava a 4ª perna e que por isso equilibramos em cima de uma pedra e escolhemos uma vítima para assar as ditas febras. Tudo correu bem enquanto o tipo encarregado de vigiar o assador não virou costas. Assim que o fez o assador tombou e como a relva estava seca pegou fogo de imediato. Cena seguinte, todos feitos malucos para impedir que o fogo chegasse aos outros carros.
Outras impressões desse dia: a grandiosidade do estádio, um maluquinho do Porto sentado no meio da claque do Benfica que se levantava aos berros sempre que o Porto partia para o ataque (havia formas mais simpáticas de cometer suícidio, mas aquilo era para a Super-taça, pelo que era a feijões). No fim ajudámos uma senhora a sair do parque de estacionamento. Pegando literalmente no carro em mãos, com a senhora lá dentro. Neste momento ela deve estar a contar a experiência no seu próprio blog (ou talvez não, é capaz de haver coisas mais interessantes para fazer a esta hora, como dormir).
Na minha segunda ida, o destino foi o estádio novo do Braga, com o meu patrão acompanhado pelo pai e um amigo, ambos com problemas de saúde. Já não consegui ficar em frente ao estádio, mas sim a quase 2 Km de distância, mas havia outras diferenças nítidas. A primeira é que o estádio do Braga não tem a oponência do estádio da luz. Falem o que falarem, mas o estádio é feio e não proporciona um bom espectáculo. Original talvez seja. Depois tivemos de subir quase um monte todo até chegarmos à entrada.
A parte hilariante foi que na descida, com milhares de pessoas a descer, deixei cair a chave do carro no caminho. Como sempre, uma pessoa só sabe das más notícias no fim, quando cheguei ao carro que tinha ficado quase a 2 km. Voltei para trás (e neste momento o pessoal já tinha ido todo embora), encontrei a chave no caminho por onde tinham passado quase 20000 pessoas e voltei para trás outros 2 km. Ainda dizem que assistir a jogos de futebol não cansa, safa!
domingo, novembro 26, 2006
12. Dicionário XXX
Reparei ontem que as coisas a que damos mais importância, e que por isso são mais faladas, têm tendência a ganhar mais sinónimos e calões.
Querem uma prova? Comecemos pelo verbo trabalhar. Querem uma palavra semelhante? Tarefa. Que em espanhol se diz "tarea", termo do qual deve vir o nosso termo "tareia". Os ingleses têm um termo igualmente pejorativo, "job", o qual deve ter vindo do personagem mais azarado da Biblia.
Como sinónimo de beber, temos ingerir, emborcar. A palavra comer é mais trabalhada - voltamos a ingerir (o que significa que beber ou comer é a mesma coisa), morfar, meter para o bucho, etc... Podemos inclusivamente ter termos especificos do género pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia. Podemos especificar ainda mais e arranjamos termos como a consoada.
Ou seja, gostamos mais de comer e beber do que trabalhar, o que não é novidade nenhuma.
O grande campeão é, sem dúvida alguma, o sexo. E daí o XXX no nome deste post.
Temos para começar a expressão "relações sexuais". Para resumir "ter sexo" ou "ter relações" é basicamente a mesma coisa, pelo que a expressão "A Alemanha tem boas relações com Portugal e Itália" ganha contornos duvidosos.
Depois temos expressões como "ir para a cama". Quantas vezes não terá a esposa desconfiada perguntado "Já foste para a cama com a Maria?", ao que o marido responde negativamente, aliviado por não ter de mentir. Afinal a queca tinha sido na mesa da cozinha.
A expressão "dormir com" também é curiosa. A mesma esposa pode perguntar ao marido se dormiu com a Maria, e o mesmo marido teria a mesma resposta negativa, porque aquilo tinha sido coisa para uma meia hora que não lhe tinha dado motivos para ter sono, muito pelo contrário...
Existe um cruzamento curioso entre o sexo e a gastronomia – quando dizemos “comer a Maria”, ou “papar a Maria” estamos a falar de sexo, mas quando usamos a expressão “jantar a Maria” ou “almoçar a Maria” estamos a falar de canabalismo, puro e duro.
Continuando com a gastronomia, porque razão é que um queque é um bolo, enquanto que uma queca é uma coisa completamente diferente? Basta ver a diferença nas receitas: se um queque leva farinha, manteiga, água e açucar, já a famosa queca leva um jantar à luz das velas, música romântica, uma garrafa de vinho e uma superficie confortável...
A expressão "dar uma", abreviatura de "dar uma f..." ou dar uma queca", evidencia que a pessoa em causa está perfeitamente ciente do seu potencial, pondo logo de parte a hipótese de "bisar".
Até a própria expressão "fazer amor" é algo contraditória, porque quando chegam a esse ponto as pessoas envolvidas já ultrapassaram nitidamente a fase da indiferença, ou seja, vão fazer algo que já têm. Alguns inclusivamente dizem "fazer O amor", como se fosse uma experiência religiosa e disso dependesse a sua existência.
Os brasileiros podem gostar muito de samba e futebol, mas transar também é com eles. O que me faz pensar que, se comilão é uma pessoa que come muito, uma transacção deve ser uma grande f...
Não posso usar a palavra toda, mas a f... está na boca de toda a gente. Um autêntico broche universal.
Temos ainda a palavra fornicação. Que é uma f... culta.
Se entrarmos pelo sector da cutelaria, temos a célebre "facadinha" no matrimónio. Porquê facadinha e não garfada? Ninguém me tira da cabeça que este termo teve origem em Guimarães. Talvez o D.Afonso Henriques. Não, não podemos ir tão longe. Esse não seria uma simples facadinha, mas uma espada, e das grandes.
E já agora, quem inventou os termos "Aventura" e "Caso"? O primeiro parece ser o título de um livro para adolescentes, "Uma aventura na Quinta" deve ser um treino para uma orgia. E um "Caso" cheira a algo policial, ou seja a coisa deu para o torto. Ainda quanto ao "caso", os ingleses têm uma palavra semelhante, "affair", de "he is having an affair with Maria" ou seja, "ele está a ter um caso com a Maria". Chamem então a porra do CSI...
A coisa assume uma dimensão tal que até a Primeira Vez tem linguagem própria - diz-se que a rapariga foi "desflorada". Ou perdeu "os três".
E por último, o sexo é único pelo simples facto de ter expressões numéricas, como o antigo 69, o qual está na idade da reforma. Hoje em dia está a ser suplantado por novos conceitos como o 699 , cujo grande especialista deve ser o nosso Cristiano R. . (Sem falar no 99, especialidade de um famoso arquitecto de Lisboa, top de vendas no mercado porno).
Querem uma prova? Comecemos pelo verbo trabalhar. Querem uma palavra semelhante? Tarefa. Que em espanhol se diz "tarea", termo do qual deve vir o nosso termo "tareia". Os ingleses têm um termo igualmente pejorativo, "job", o qual deve ter vindo do personagem mais azarado da Biblia.
Como sinónimo de beber, temos ingerir, emborcar. A palavra comer é mais trabalhada - voltamos a ingerir (o que significa que beber ou comer é a mesma coisa), morfar, meter para o bucho, etc... Podemos inclusivamente ter termos especificos do género pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia. Podemos especificar ainda mais e arranjamos termos como a consoada.
Ou seja, gostamos mais de comer e beber do que trabalhar, o que não é novidade nenhuma.
O grande campeão é, sem dúvida alguma, o sexo. E daí o XXX no nome deste post.
Temos para começar a expressão "relações sexuais". Para resumir "ter sexo" ou "ter relações" é basicamente a mesma coisa, pelo que a expressão "A Alemanha tem boas relações com Portugal e Itália" ganha contornos duvidosos.
Depois temos expressões como "ir para a cama". Quantas vezes não terá a esposa desconfiada perguntado "Já foste para a cama com a Maria?", ao que o marido responde negativamente, aliviado por não ter de mentir. Afinal a queca tinha sido na mesa da cozinha.
A expressão "dormir com" também é curiosa. A mesma esposa pode perguntar ao marido se dormiu com a Maria, e o mesmo marido teria a mesma resposta negativa, porque aquilo tinha sido coisa para uma meia hora que não lhe tinha dado motivos para ter sono, muito pelo contrário...
Existe um cruzamento curioso entre o sexo e a gastronomia – quando dizemos “comer a Maria”, ou “papar a Maria” estamos a falar de sexo, mas quando usamos a expressão “jantar a Maria” ou “almoçar a Maria” estamos a falar de canabalismo, puro e duro.
Continuando com a gastronomia, porque razão é que um queque é um bolo, enquanto que uma queca é uma coisa completamente diferente? Basta ver a diferença nas receitas: se um queque leva farinha, manteiga, água e açucar, já a famosa queca leva um jantar à luz das velas, música romântica, uma garrafa de vinho e uma superficie confortável...
A expressão "dar uma", abreviatura de "dar uma f..." ou dar uma queca", evidencia que a pessoa em causa está perfeitamente ciente do seu potencial, pondo logo de parte a hipótese de "bisar".
Até a própria expressão "fazer amor" é algo contraditória, porque quando chegam a esse ponto as pessoas envolvidas já ultrapassaram nitidamente a fase da indiferença, ou seja, vão fazer algo que já têm. Alguns inclusivamente dizem "fazer O amor", como se fosse uma experiência religiosa e disso dependesse a sua existência.
Os brasileiros podem gostar muito de samba e futebol, mas transar também é com eles. O que me faz pensar que, se comilão é uma pessoa que come muito, uma transacção deve ser uma grande f...
Não posso usar a palavra toda, mas a f... está na boca de toda a gente. Um autêntico broche universal.
Temos ainda a palavra fornicação. Que é uma f... culta.
Se entrarmos pelo sector da cutelaria, temos a célebre "facadinha" no matrimónio. Porquê facadinha e não garfada? Ninguém me tira da cabeça que este termo teve origem em Guimarães. Talvez o D.Afonso Henriques. Não, não podemos ir tão longe. Esse não seria uma simples facadinha, mas uma espada, e das grandes.
E já agora, quem inventou os termos "Aventura" e "Caso"? O primeiro parece ser o título de um livro para adolescentes, "Uma aventura na Quinta" deve ser um treino para uma orgia. E um "Caso" cheira a algo policial, ou seja a coisa deu para o torto. Ainda quanto ao "caso", os ingleses têm uma palavra semelhante, "affair", de "he is having an affair with Maria" ou seja, "ele está a ter um caso com a Maria". Chamem então a porra do CSI...
A coisa assume uma dimensão tal que até a Primeira Vez tem linguagem própria - diz-se que a rapariga foi "desflorada". Ou perdeu "os três".
E por último, o sexo é único pelo simples facto de ter expressões numéricas, como o antigo 69, o qual está na idade da reforma. Hoje em dia está a ser suplantado por novos conceitos como o 699 , cujo grande especialista deve ser o nosso Cristiano R. . (Sem falar no 99, especialidade de um famoso arquitecto de Lisboa, top de vendas no mercado porno).
segunda-feira, novembro 13, 2006
11. Obrigado Sr. Agente
Em Portugal, o limite de velocidade é de 50,90,120, conforme a cantilena que usei para decorar o código de estrada. O problema é que o facto de estar escrito não faz com que as pessoas tenham vontade de cumprir. Ainda por cima os fabricantes de automóveis não ajudam - porque razão constroem carros que vão até aos 250 Km? E ainda por cima é virtualmente impossível irmos só a 50 numa recta, com boa visibilidade e sem carros, quando todos à nossa volta tentam ir a mais de 100. Impossível. Depois há o problema de sabermos identificar correctamente o que é considerado dentro de uma povoação. No Norte, por exemplo, nunca chegamos a estar fora de povoações, pelo que os 90 Km fora das povoações nunca se poderia em regra aplicar. No Alentejo, talvez faça sentido, afinal se formos a cinquenta demoramos um dia até chegarmos a qualquer lado.
Portanto obrigado,Sr Agente, por me lembrar que não se pode ir a 80 dentro de uma localidade. Escusava era de o ter feito por escrito...
Portanto obrigado,Sr Agente, por me lembrar que não se pode ir a 80 dentro de uma localidade. Escusava era de o ter feito por escrito...
domingo, novembro 12, 2006
10. Défice de Criatividade
À semelhança de tudo o que se passa neste país, este blog sofre de um evidente défice de criatividade, que é visível em pequenas coisas que se podem provar facilmente numa pesquisa no Google - dei-me conta disto quando fiz uma pesquisa pelo nome do blog "outro blog". Pelos vistos, deve-me ter saido na rifa a disponibilidade do nome no blogspot.com. Todas as outras combinações parecidas já tinham sido escolhidas.
Outra curiosidade que acentua este défice - a palavra "matematicando" aparece pelo menos uma centena de vezes, e ainda por cima, o raio da palavra usa-se em vários paises. E eu que estava convencido de ter inventado o termo...
Agora só resta atirar-me a um poço. Não, espera..., isso também não é original... portanto só me resta "blogar" até ficar com os dedos em carne viva...
Outra curiosidade que acentua este défice - a palavra "matematicando" aparece pelo menos uma centena de vezes, e ainda por cima, o raio da palavra usa-se em vários paises. E eu que estava convencido de ter inventado o termo...
Agora só resta atirar-me a um poço. Não, espera..., isso também não é original... portanto só me resta "blogar" até ficar com os dedos em carne viva...
9. Fados
De vez em quando ouvimos falar de histórias, ou fazemos parte de histórias que sabemos nunca mais nos vão largar. Como o caso do Sr. Pizarro, familiar de Luís Pizarro, o mesmo que qualquer Benfiquista deveria conhecer porque dá voz ao seu hino ("ser benfiquista...").
De qualquer forma, o Sr.Pizarro era contínuo no primeiro sítio onde trabalhei em Lisboa. Era uma pessoa singular, que cantava numa casa de fados e como qualquer outro funcionário público gostava de tomar o seu café. Durante o tempo que trabalhei lá, nunca falei muito com ele. Considerava-o uma pessoa muito reservada. Um fim de tarde de Outubro, por altura da Feira de Informática, apanhei o autocarro 57 e sentei-me na última fila. Ao meu lado estava o Sr. Pizarro. Falámos um pouco e combinámos uma ida à casa de fados ouvi-lo cantar - era a minha primeira ida e fiquei entusiasmado com a ideia.
Na segunda-feira seguinte, fiquei abalado com a notícia da morte do Sr.Pizarro, vítima, creio eu, de um ataque cardiaco (mas aqui a minha memória já não é certa).
Outra história que ouvi nesse mesmo local onde trabalhei. A média de idades andaria nessa altura pelos 40 anos. Diziam eles que no ínicio iam todos para a praia. No grupo integrava-se um puto que, embora não trabalhasse lá ia com eles e levava a viola. Chamava-se Luís. Luís Represas.
De qualquer forma, o Sr.Pizarro era contínuo no primeiro sítio onde trabalhei em Lisboa. Era uma pessoa singular, que cantava numa casa de fados e como qualquer outro funcionário público gostava de tomar o seu café. Durante o tempo que trabalhei lá, nunca falei muito com ele. Considerava-o uma pessoa muito reservada. Um fim de tarde de Outubro, por altura da Feira de Informática, apanhei o autocarro 57 e sentei-me na última fila. Ao meu lado estava o Sr. Pizarro. Falámos um pouco e combinámos uma ida à casa de fados ouvi-lo cantar - era a minha primeira ida e fiquei entusiasmado com a ideia.
Na segunda-feira seguinte, fiquei abalado com a notícia da morte do Sr.Pizarro, vítima, creio eu, de um ataque cardiaco (mas aqui a minha memória já não é certa).
Outra história que ouvi nesse mesmo local onde trabalhei. A média de idades andaria nessa altura pelos 40 anos. Diziam eles que no ínicio iam todos para a praia. No grupo integrava-se um puto que, embora não trabalhasse lá ia com eles e levava a viola. Chamava-se Luís. Luís Represas.
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