segunda-feira, abril 23, 2007

38. Bombástico!

Num era de mediocridade, estamos de estar atentos a tudo o que sobressai, sob pena de chegarmos ao fim da década e de respondermos com um encolher de ombros aos putos da altura que nos perguntarem sobre como foi esta década. Um bocado como os anos noventa. O que foi a melhor coisa que aconteceu nos anos noventa? Só o início do revivalismo dos "loucos" anos 80, anos em que começamos realmente a gozar a nossa liberdade.

Vem isto a propósito do programa dos Gato Fedorento que deu no domingo, e em especial uma rábula sobre o "Dr. House", onde debatiam o caso do joelho do Mantorras. Ou seja, de uma assentada, quatro coisas de que gosto ou que me dizem muito:

  • Gato Fedorento, quatro corajosos que lutam contra o tempo e contra o marasmo deste país. É um trabalho sujo fazer rir, mas alguém tem de o fazer. E da forma que o estão a fazer é bem possível que lhes faça mal à saúde.
  • Dr.House, porque é uma série bem escrita que tem o equilibrio em todas as frentes.
  • Humor, porque a vida não é só tristezas.
  • Benfica, porque gosto de sofrer todos os anos, sei lá.

No fim da rábula, sugeriram "provocar um aborto histérico" na eventual "gravidez histérica" do Mantorras, e quando iam a iniciar o "tratamento" recebem um telefonema a relatar que o cartão da "Médis Angolana" já não era válido no nosso país.



domingo, abril 22, 2007

37. Grafittis e consumismo

Fui passar o fim de semana a Lisboa. Algo que faço com alguma regularidade para desenjoar da "nortalidade". De tudo o que vi ficaram-me duas imagens muito vincadas.

A primeira tem a ver com a quantidade enorme de grafittis que existe em tudo o que é lado. E o pior é que ninguém se lembra de dizer, antes que não fique uma parede de um monumento por estragar, que aquilo é crime. À alguns anos aconteceu a mesma coisa, mas houve uma campanha televisiva que mostrou que não se devia fazer, e a coisa acalmou, agora, só porque numa dessas séries que ninguém vê mas todos sabem, um puto fazia grafittis, pimba! Tudo o que é parede já está sarrabiscada. Ou então aprendam a fazê-lo bem.

A segunda coisa que guardei na memória foi a resposta que uma mãe deu à filha que queria que lhe comprasse qualquer coisa: "Ora, a menina não seja consumista!". A miuda não teria mais de quatro ou cinco anos, e para ela vai a minha mensagem de apoio. Com respostas destas não admira que as pessoas se tornem psicopatas...

sexta-feira, abril 20, 2007

36. Pânico na Universidade

Esta semana foi notícia o massacre perpetrado na Universidade Técnica da Virginia por um estudante de Inglês, de origem Sul-Coreana. O rapaz que se suicidou após ter matado 32 alunos e professores, começou por matar dois alunos na residência universitária, depois ainda teve tempo para ir aos correios enviar um conjunto de vídeos e fotografias à NBC e posteriormente dirigiu-se à universidade para continuar a matança.

Tudo indica que o rapaz sofria de problemas mentais e que tinha dificuldade em se relacionar com os demais, fruto da sua condição de estrangeiro e do seu pouco domínio da língua. Por alguma razão estava a estudar inglês. O mal deste caso em concreto reside no facto dos colegas o perseguirem activamente.

Pergunta:

Que sociedade é que permite que alguém com problemas mentais já identificados possa comprar armas?

Tendo ele indicado no material que enviou à NBC uma referência ao tristemente célebre massacre de Columbine, e brilhantemente retratado pelo documentário de Moore, significa que vai haver alguém que tentará ultrapassar o massacre de Vírginia?

Porque carga de água é que apareceram em todos os jornais a fotografia dele empunhando as duas armas?

Pondo de lado a hipótese de ter usado um suporte, quem tirou esta fotografia?

E quando é que os Estados Unidos aprendem que com armas não se brinca?

Estou mesmo a ver o diálogo que o puto teve com a pessoa que lhe vendeu as armas. Deve ter sido algo como:

- Bom dia, pretendia comprar uma arma.

- Sim senhor, é para defesa pessoal, caça ou massacre.

- Massacre.

- Pois muito bem. Para massacre tenho estas muito boas. Estão em promoção. Pelo preço de uma leva duas. E pensa suicidar-se no fim?

- Ah...sim...

- Então se não se importa o pagamento terá de ser feito em dinheiro. Ordens do patrão.

- Com certeza. E já agora o senhor não se importava de me tirar uma fotografia com as armas? É para mandar para a minha mãezinha...

terça-feira, abril 10, 2007

35. Páscoa

Nunca liguei muito à Páscoa, mas este ano foi especialmente morta. Poderiamos pensar que isso tivesse a ver com a perda das tradições, mas não. Grande parte das pessoas da minha freguesia, em resposta à polémica do padre que comprou um carro de grande cilindrada, não abriu a porta ao compasso.

O pároco de uma freguesia vizinha tem um BMW, mas isso não é notícia, porque hoje em dia ter um BMW já se tornou um facto banalizado...

34. Sacristão

Vou contar uma anedota que ouvi este fim-de-semana, e que é aparentada com uma anedota similar que corre pela net sobre um funcionário da Microsoft...

Era uma vez um sacristão que era muito bom sacristão, até ao dia em que lhe dizem que tinha saído uma lei que só permitia sacristãos com a 4ª classe. O nosso bom homem deixou então de ser sacristão e procurou outro trabalho. Perto da igreja é abordado por um índividuo que lhe perguntou se sabia onde havia uma tabacaria, ao que o sacristão indicou a tabacaria mais próxima, que ficava bastante longe. Tem uma ideia brilhante. Podia ser um bom negócio montar perto da igreja uma tabacaria. Pegou nas suas economias e abriu uma tabacaria, que teve tanto sucesso que passado pouco tempo ele desatou a abrir tabacarias, todas próximas de Igrejas para servir o pessoal que ía à missa.

Um dia foi entrevistado pela televisão, que lhe perguntou "se mesmo não tendo a 4ª classe, o que seria ele se a tivesse"?

Ao que ele respondeu "Se tivesse a 4ª classe seria sacristão".

sexta-feira, abril 06, 2007

33. Insensibilidade

Deu na passada quinta-feira, a horas impróprias como é hábito, mais um episódio do Dr. House. Sendo completamente fanático pela série estou sempre na dúvida entre o perder um episódio e estar bem disposto na sexta-feira de manhã. Desta vez o episódio centrou-se numa adolescente com uma doença que se denomina por Congenital insensitivity to pain with anhidrosis (CIPA). A CIPA faz com que as pessoas não consigam sentir dor nem diferenças de temperatura. Pelos vistos existem apenas 60 doentes nos Estados Unidados.

E pelo menos um caso em Portugal. Em Lisboa trabalhei com uma senhora que não conseguia sentir dor. Quando tinha de ir ao dentista, nem sequer precisava de anestesia (será que pagava menos por isso?). Segundo dizia ela, não conseguia sentir dor, apenas tonturas. O mais interessante neste caso era o apelido da senhora: "Dores".

Tem tudo a ver...

terça-feira, abril 03, 2007

32. India

Para quem se interessa minimamente pela religião, não pode deixar de visitar o site www.tombofjesus.com, onde encontramos uma série de provas documentais da presença de Jesus na Índia logo a seguir à crucificação. Brutal.

segunda-feira, abril 02, 2007

31. Padre a alta velocidade

Estava-me a preparar para falar sobre a semana santa quando rebenta a bomba. O padre da minha freguesia anda, ou melhor, corre na boca do mundo. A história é simples, sendo padre de três paróquias, o Pe. António Rodrigues tem frequentemente de correr de missa para missa, pelo que decidiu comprar um carro adequado, um Ford Fiesta 200 ST. A associação de cidadãos auto-mobilizados decidiu queixar-se ao mais alto nível, enviando um comunicado às mais altas instâncias da Igreja, entre eles Bento XVI. Se for verdade que ele corre na A25, é, a meu ver grave, mas fora isso só demonstra ser um homem como os outros.

Não resisto a colocar aqui o comunicado que pode ser encontrado em www.aca-m.com

Comunicado de 2007/03/22

Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.

A Sua Santidade o Papa Bento XVI
Sumo Pontífice da Igreja Católica


A Sua Eminência Reverendíssima Dom Jorge da Costa Ortiga,
Arcebispo de Braga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa


A Sua Eminência Reverendíssima Dom Alfio Rapisarda
Núncio Apostólico da Cúria Romana em Portugal

A Sua Excelência Reverendíssima
Dom Ilídio Pinto Leandro

Bispo de Viseu

A Sua Reverência Padre António Rodrigues
Pároco do Couto do Mosteiro

Dirigimo-nos a V. Santidade para apresentar o seguinte pleito:
O comportamento rodoviário anti-social do sr. Padre António Rodrigues, pároco do Couto do Mosteiro, em Santa Comba Dão, foi noticiado ontem, dia 21/03/07, em alguns jornais diários portugueses (Público, p. 14, “Um padre movido a fé e adrenalina”, 24 Horas, p. 21, “O padre tem uma máquina... dos diabos”).

O sr. Padre António Rodrigues orgulha-se de ser proprietário de uma “autêntica bomba”, um Ford Fiesta 200 ST de 150 cavalos de potência, adquirido “no estrangeiro”, e de “andar no picanço na A25” (competir com outros utentes daquela que já foi conhecida internacionalmente como a “estrada da morte”, tantas foram as vítimas mortais naquele trajecto).

O sr. Padre António Rodrigues, que afirma gostar da “adrenalina provocada pela velocidade” e “de sentir a potência debaixo do pé”, vangloria-se ainda de o seu automóvel chegar facilmente aos 210km/h, acrescentando que “Graças a Deus” nunca foi multado, e que, antes de padre é um ser humano.

Finalmente, admite que utiliza o seu carro para levar os jovens [das aldeias] a “dar uma volta”, e para “chegar a tempo às 3 igrejas da paróquia” (que distam entre si não mais que 13 km).Foi com horror que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados tomou conhecimento destas notícias. E é com natural incómodo que nos dirigimos a V. Santidade para notar que:

1) Um padre é um cidadão. Nesse sentido, não pode colocar os seus deveres de padre (chegar a horas às diferentes igrejas onde oficia, transportar jovens entre aldeias) à frente dos de cidadão. Numa palavra, não se pode colocar acima da lei da república portuguesa.

2) Um padre católico é um homem, mas antes de ser homem é padre. Caso pusesse o ser “homem normal” antes do sacerdócio, não haveria motivo para cumprir o princípio do Celibato. Ora um padre tem de dar o exemplo, porque nele o Sentido Ético é o mais importante.

3) Um padre é um predicador – não por acaso é tantas vezes também professor de Religião e Moral. Um guia espiritual que molda o comportamento e valores de outrém.

4) Um padre é, sine qua non, um modelo de virtudes – não pode ser um repositório de pecados.O arrepiante comportamento descrito nas notícias testemunha um deslumbramento ingénuo pela velocidade, pela ilegalidade, e pela irresponsabilidade social, que é seguramente condenável pela hierarquia da Igreja católica. Mais ainda, o sr. Padre António Rodrigues parece crer, na sua cega vaidade, que a providência divina o favorece, permitindo-lhe fugir às sanções judiciárias humanas.

Como ele diz: “Graças a Deus, não [sei] o que é uma multa”.

Acreditamos que o sr. Padre António Rodrigues não esteja agindo de má fé, e acreditamos ele conseguirá arrepiar caminho e compreender quão longe se encontra hoje dos valores implícitos no sacerdócio que assumiu. Vimos assim pedir a V. Santidade que ajude este infeliz pároco a ponderar a gravidade dos seus actos e a imodéstia das suas palavras, e a resistir às tentações conjugadas da velocidade e da vanglória.

Despedimo-nos respeitosamente.Direcção da ACA-MLisboa, 21/03/07


Ecos na imprensa internacional:

Rev isn't always short for reverend, Reuters, 26 de Março.
Grupo pede que padre resista às tentações da velocidade, O Globo Online, 26 de Março.
Caso do padre que tem carro turbinado vai parar no Vaticano, G1, 27 de Março.
Portuguese priest gets chastised for indulging in sporty car, Autoblog, 27 de Março.
Speeding priest prompts complaint to the Pope, Gulf Times, 27 de Março.
Pope urged to put the brakes on racy priest, Business Report, 27 de Março.
'Speed freak' priest, The Mercury, 27 de Março.
Priest's car passeth all understanding, Saturday Star, 27 de Março.
No more revving for racing reverend, Ottawa Sun, 27 de Março.

domingo, abril 01, 2007

30. Mal-entendidos

Três anedotas rápidas para quebrar a banalidade deste blog. O tema são os mal-entendidos, ou como devemos ter cuidado com as palavras que usamos. Por vezes podem ter consequências fatais.

(1)

Noticia no jornal: "Vende-se cão, come de tudo, gosta de crianças"

(2)

Noticia no placard de uma Igreja: "O clube de jovens mães reune-se às quartas-feiras, pelas 21h30. Para ser uma jovem mãe dirija-se ao Sr. Padre."

(3)

Há alguns anos atrás houve um concurso a nível internacional para escolherem a melhor anedota. Algo como a eleição do melhor português, mas com mais piada. Venceu a seguinte:
"Dois caçadores foram caçar para o monte e um deles caiu a um buraco, ficando inconsciente. O outro desce para junto dele e liga pelo telemóvel para o 112.
- O meu amigo caiu e está inconsciente. Que devo fazer? - pergunta o caçador, preocupadíssimo.
- Em primeiro lugar, certifique-se que está morto - respondeu o operador do 112, que ficou à espera de resposta do caçador.
Entretanto ouve-se um tiro do outro lado da linha.
- Já está, e agora?

29. Pequeno raio-de-luz

Sendo um cinéfilo minimamente interessado, não posso deixar a oportunidade para falar de um filme que vi ontem e que já estava na minha lista de "filmes a não perder" desde que o Markl se fartou de o gabar, ainda antes de se saber que era um dos nomeados aos óscars. Trata-se de um filme independente, de low budget, Miss Little Sunshine, e que conta a história de uma viagem em família.
Dito assim podiamos estar a falar de mais de uma centena de "road trip films", onde um grupo sai do seu elemento e se confronta com situações completamente desconhecidas. No cinema Americano, na maior parte das vezes o que se sucede são gags encaixados furiosamente como quem tenta pôr toda a roupa dentro de uma mala pequena. A coisa raramente funciona.
Miss little sunshine é diferente. Em primeiro lugar é uma comédia dramática, onde tanto podemos estar comovidos com as tristes histórias de cada um dos elementos da família, como no momento seguinte rimos histericamente com as situações colocadas.
Depois há a sensação de familiaridade com cada um dos elementos, todos conhecemos alguém com quem podemos identificar cada um. O avô tem problemas de toxicodependência, o tio é homossexual e maniaco-depressivo, o filho tem o sonho de ingressar na força áerea, e como forma de provar o seu empenho nesse sonho não fala há nove meses. A filha mais nova sonha em fazer parte de um concurso de beleza infantil, embora tenha problemas de peso, o pai é especialista em "promoção pessoal", a tentar lidar com o seu insucesso. A mãe tenta fazer os possíveis para que a família funcione.
O filme fala de uma sociedade que promove a competição, o ganhar a todo o custo, mas através dos dialogos mais intelegentes que se tem visto nos últimos tempos no cinema americano, vamos descobrindo o valor da família e que o vencer não é o mais importante. O que importa é o que ganhamos ao tentar vencer.

sexta-feira, março 30, 2007

28. Italian love kids...

Este era o slogan patente numa camioneta que vi hoje. Por baixo aparecia uma imagem de crianças vestidas todas da mesma forma, pelo que se imaginava que fosse uma loja de roupa infantil. Certo.
Mas se pusessem um slogan a dizer "Os Portugueses gostam de crianças", até podiam pôr uma fotografia do papa por baixo, que iam todos pensar em porcarias.

quinta-feira, março 29, 2007

27. Curva à direita (2ªparte)

Depois da chuva aparecem as coisas mais estranhas à superfície. Depois da estranha vitória do Salazar como o maior português de sempre (pela mesma lógica de ideias, Camões seria um sério candidato ao maior ditador português de sempre), apareceu um caramelo de extrema direita a querer mandar os imigrantes para a terra deles. No cartaz alguém já tinha atirado um balde de tinta "castanha". Seria mesmo tinta?

26. Terra Virtual

Por motivos pessoais, sigo de perto os fenómenos informáticos, e interesso-me particularmente com a rapidez com que as pessoas que usam apenas a informática como hobby ou diversão aderem a novidades. Exemplos disso temos o messenger, o correio electrónico e o browser. Um dos últimos fenómenos foi o Googleearth (e digo dos últimos em sentido figurado, porque a coisa já tem uns tempitos...), que pegou com a velocidade de um F1. De um momento para o outro passámos a ouvir com alguma frequência algo como "onde é que fica a minha casa?".

O universo dos googleearth maniacos podem dividir-se em dois grandes grupos: os que só querem ver as suas casas e arredores, e os que, como eu, gosto de ver tudo. Imaginar trajectos pitorescos e fazer viagens virtuais sem gastar um tusto...

Dessas viagens guardo recordações também virtuais. Londes e Paris são fantásticas, sendo Paris uma cidade extremamente cinzenta vista de cima. Lisboa tem também os seus encantos. Aconselho uma visita ao Colombo, que é fabuloso visto de cima. Outro sítio deslumbrante é a cidade proibida em Pequim, e de uma forma geral toda a costa chinesa.

Se tiverem oportunidade, vejam os arredores das cidades Americanas, aqueles subúrbios de casas todas iguais que vemos nos filmes, tão iguais que parece impossível os moradores não se enganarem na casa e só darem por ela quando disserem "Querida, cheguei..."
Vistos do alto, e pelo menos aqueles que eu vi, apercebemo-nos que as ruas desses subúrbios não são direitas, parecem as linhas das cascas dos caracois. E todas com um aspecto ordenado, a contrastar com o nosso caos urbanístico, onde cada um constrói o que lhe apetece onde apetece.

De qualquer forma, um muito obrigado aos senhores que tiveram esta ideia - graças a eles eu posso dizer "eu estive lá". Virtualmente falando.

quarta-feira, março 28, 2007

25. Curva à direita

Embora sendo conterrâneo de Salazar, não é por isso que deixo de condenar a sua vitória como o maior Português de Sempre no programa que deu na RTP1 no último domingo, da mesma forma que não faço uma festa sempre que estou no estrangeiro e me cruzo com um Português - se estivesse em Portugal se calhar nem um Bom Dia trocariamos, mas como estamos numa terra estranha, subitamente somos bons amigos.

A dita vitória, onde conseguiu 41% da votação por telefone, sendo que o segundo colocado, Álvaro Cunhal, não passou dos 17%, segundo creio, é algo tão complexo como a estupidez do referido programa - que mesmo assim fez subir as audiências da RTP. Salazar só ganhou por dois motivos simples: o primeiro deriva de uma tentativa das pessoas de manifestarem o seu desagrado com o regime actual, sucumbindo a uma amnésia selectiva - esquecem-se de que o Antigo Regime foi uma época muito mais austera do que a actual, sem qualquer respeito pela liberdade pessoal das pessoas. 33 anos passados do 25 de Abril, as pessoas esquecem-se o que é viver num regime ditatorial, porque tomam a sua liberdade como algo garantido. As únicas duas coisas favoráveis a Salazar foi o de ter equilibrado as nossas finanças numa altura em que todos os outros países eram afastados por uma crise devastadora, e também pelo facto de ter conseguido a nossa neutralidade.

Em segundo lugar, acredito que Salazar só ganhou porque todos os radicais de direita e outros saudosistas que existem neste país deven ter votado em força, tal como a grande maioria dos comunistas votaram em Cunhal, o que o colocou no segundo lugar do pódio.

Num inquérito independente ao qual responderam cerca de 2000 pessoas, creio que ganhou o D.Afonso Henriques, o qual talvez não tendo uma personalidade muito diferente da de Salazar no que toca à forma de dominar o povo, pelo menos deixou uma obra que será lembrada para sempre de uma forma positiva.

Outro facto interessante, Camões e Pessoa, únicos representantes da cultura, tiveram votações baixissimas, o que espelha a consideração que o português tem pelo seu legado cultural.

E nos outros países, como correu este tipo de votação? Nos Estados Unidos ganhou Ronald Reagan, na Inglaterra Churchill, na França Charles de Gaulle. À excepção da votação dos Estados Unidos, concordo com as votações de Churchill, sem o qual o resultado da segunda guerra mundial teria sido muito diferente, e De Gaulle.

Ponto positivo desta polémica, ter visto a reacção colérica da Odete Santos, em grande pose teatral a afirmar "A apologia do fascismo é proibida pela constituição".

Ponto muito negativo: é triste estarmos todos a pagar para a triste figura que a nossa televisão pública faz. Deixemos esses papeis rídiculos às Sics e TVIs, que é para isso que aí estão, para distrair o povinho.

E mais nada!...

terça-feira, março 20, 2007

24. O umbigo da Claudia Schiffer

Esta vai ser uma rapidinha. Gostava de perguntar a quem de direito a razão pela qual este país está sempre tão desejoso de "atrair capital estrangeiro". Portugal não tem grandes recursos que seduzam investidores que não seja a mão de obra barata com mais qualidade que existe no mundo. Conforme dizem os especialistas, o Português está entre os melhores no que toca a trabalhar. Pelo menos quando trabalham lá fora, não tenho dúvida nenhuma, suam as estopinhas e não se importam de fazer sacrifícios, porque sabem que vale a pena - se querem comprar um carrito, uma casa ou montar um café ou um supermercado aqui têm de o fazer.

Mas o problema é que o investidor quer apenas mão de obra barata. Se a encontra noutro sítio, não vê grandes inconvenientes em mudar de localização.

Por outro lado, este país tem uma localização periférica na Europa. Tem dois grandes portos (Leixões e Lisboa), que estão entre os mais caros da Europa - o que é ridiculo para um país que podia fazer da sua localização estratégica (Africa, América do Norte, América do Sul, Mediterrâneo) uma mais valia.

Por isso, porque não nos concentramos em apoiar as iniciativas locais, dos empresários locais, devidamente preparados para enfrentar os desafios do mercado global e sem a mentalidade de "chico-esperto", de desenrasca. Vamos produzir, vamos explorar o único recurso que resta a este país, que são as suas gentes. Partamos de novo ao desconhecido como fizeram os nossos antepassados. Temos um potencial enorme para servirmos de intermediários entre o Brasil, Angola, Moçambique, e o resto da Europa, o que estamos à espera?

Portugal é como o umbigo da Cláudia Schiffer - pode ser o umbigo mais interessante do mundo, mas não passa disso, e há coisas mais interessantes à volta para explorar.

segunda-feira, março 19, 2007

23. Burrocracia

Sucedeu algumas semanas atrás. Um cozinheiro alemão residente há alguns anos no nosso país suicida-se depois de mais um problema burocrático no arranque de um restaurante no Algarve.

Depois de seis anos a lutar para abrir um restaurante, Frank-Peter Marcischewski finalmente tem tudo pronto, faltando apenas levantar o alvará, que segundo informações já estava pronto. Dirigiu-se primeiro às finanças, onde uma funcionária lhe terá dito que não era ali que se levantavam as licenças, mas sim na câmara. Conhecendo os funcionários das finanças como conheço, a informação terá sido dada com todo o respeito e delicadeza.

Depois dirige-se à camâra onde o informam que o alvará não estava no seu nome, mas sim do sócio com o qual tinha iniciado o projecto, pelo que ele ficou na ideia que não conseguiria abrir o restaurante no dia seguinte, como era o seu objectivo. Por causa disso, pegou no carro, foi até Sagres, pagou 3 euros para entrar no promontório como qualquer turista e atirou-se da falésia.

Esta história faz-me pensar na estupidez natural que grassa em alguns dos nossos serviços públicos (atenção senhores e senhoras, gastem algum do vosso tempo para meditar na razão de existir o vosso emprego - serviço público). O mais grave nisto tudo é que podia ser resolvido facilmente, e ele poderia ter aberto o restaurante sem problemas e em poucas semanas ter o seu nome averbado ao alvará.

22. Decisões

Tem este post a ver com decisões com comboios. No mês passado uma velhota em Viana caíu na linha de comboio, e sofrendo de artrose não se conseguiu levantar. Esperou bastante tempo à espera de alguém, mas ninguém passou para a ajudar a levantar. Eis se não quando ouve vir o comboio e faz a única coisa que podia para salvar a vida: encolheu-se entre os carris enquanto a locomotiva lhe passava por cima, sobrevivendo sem um raspão.

Comentei este facto com uma senhora de Monção, começando a narrar os factos com um singelo "Ouviu falar naquela senhora que caiu na linha do comboio?", ao que a senhora responde "outra?". Ao que parece uma senhora de nacionalidade brasileira tinha-se suicidado atirando-se à linha do comboio.

Como são mais as pessoas que se suicidam do que as que se salvam, a noticia que saiu em todos os jornais e televisões foi a da velhota, pelo que não deve ter saído em lado nenhum a noticia do suicidio. Se a brasileira tivesse escolhido um meio menos comum, do género trinta machadadas, teria sido primeira página em todos os jornais, e todos quereriam saber as razões que a tinham levado a isso.

Ou seja, e não sendo novidade nenhuma, só é notícia o que salta à vista. Como dizia o Markl, "não é notícia quando o cão morde o homem, mas sim quando o homem morde o cão."

terça-feira, março 06, 2007

21. E agora, Hugo?

A Venezuela tem para mim um significado pessoal dado que tenho lá bastante família, pessoas que saíram das ex-colónias para fugir à descolonização apressada que se seguiu ao 25 de Abril. Nessa altura a Venezuela era uma terra rica em recursos, tão rica que os venezuelanos pouco faziam para ganhar o seu sustento, e tão desorganizada que o Portuguesinho se sentia imediatamente em casa. Fartaram-se de abrir padarias e cafés, sempre com o sonho de voltar, mas com a desvalorização monetária que o Bolívar sofreu, chegou um dia em que tiveram de tomar uma decisão, ou voltavam e vinha quase de bolsos vazios, ou ficavam mais uns tempos à espera que a coisa melhorasse lá.

Mas a coisa não melhorou, muito pelo contrário. Entra em cena o único regime de esquerda eleito democraticamente por um povo cego pelas suas promessas - e esquecido do resultado que deu esse tipo de regimes no passado e no presente, na URSS, na China e em Cuba. É pena que essas pessoas que elegeram Chavez não saibam o suficiente sobre a realidade desses países, onde a troco de uma relativa igualdade de riqueza (o que significa que não existem ricos, à excepção dos altos cargos políticos que enriquecem quanto querem).

À diferença de Cuba, com a qual Chavez reivindica uma aliança ilimitada, mas que está isolada numa ilha, demasiadamente próxima dos Estados Unidos para poder exercer a sua influência, a Venezuela está numa posição estratégica para minar todo o norte da América do Sul, e tendo os recursos naturais que dispõe, e principalmente o petróleo, pode facilmente tornar-se uma potência militar, o que tornaria possível o grande sonho de Chavez, ser um segundo Simão Bolívar e conduzir um exército que avançasse até a Argentina, espalhando a sua doutrina aos países deste conturbado continente, cheio de pessoas que muito facilmente o apoiariam. Entretanto os habitantes perdem progressivamente as suas liberdades, conforme os ecos que ouço das pessoas que têm lá família.

E agora, Hugo? Até onde vais, chico?

domingo, março 04, 2007

20. Futurologia

Um conto de ficção cientifica que li à uns anos atrás falava sobre um arqueólogo no futuro longinquo que descobre as ruínas de um edificio do século XX e que começa a fazer as suposições mais disparatadas sobre a nossa cultura face ao que vai encontrando. Género "os hábitos alimentares baseavam-se em tubos de um material pastoso de nome Colgate".

A minha pergunta é: quantas das nossas suposições sobre o que encontramos das civilizações antigas não serão igualmente ridículas? Não seriam eles infinitamente mais evoluídos do que pensamos e estarem igualmente à frente na reciclagem, pelo que não conseguimos encontrar vestígios de maquinaria evoluida?

19. Costumes aberrantes

Sou um apaixonado convicto sobre os costumes antigos, e um defensor acérrimo de todos os que insistem em defender os seus costumes, numa época globalizante como a que vivemos.

O que não quer dizer que defenda "todos" os costumes antigos. Alguns deles são aberrantes, como por exemplo os que se seguem:

(1)

Vi o primeiro costume aberrante num programa que deu à décadas, que falava sobre uma tribo da Indonésia, se não me falha a memória. Nesta tribo havia o costume de, numa determinada festa, e caso faltasse a comida, escolhiam um idoso e comiam-no. Isto tem de ser dito com alguma descrição, porque com a crise que aí vai e com a população idosa que tem este país, de aqui a pouco o governo ainda promulga a canibalização obrigatória.

(2)

Um costume mais soft mas mesmo assim aberrante é o da poliandria, praticado antigamente no Tibete. Li sobre isso no livro Sete Anos no Tibete, livro fantástico que nem o Brad Pitt conseguiu estragar com a sua adaptação ao cinema. A poliandria é o contrário da poligamia, ou seja, uma mulher casada com vários homens. Pelo que estava descrito no livro, as propriedades passavam pelo lado feminino das famílias, pelo que uma família com dois filhos, a única forma que tinham de garantir que as terras permaneciam na família era de casar os dois homens com a mesma mulher.

(3)

O Estado Português pretende taxar doações superiores a 500 Euros com 10% de imposto de selo. Isto creio que não fica atrás dos outros costumes aberrantes e fará rir os historiadores no futuro.