Se medirmos um país pela dimensão dos seus escândalos, Portugal fica realmente muito mal visto. Na semana passada o país conheceu o caso do Prof. Charrua, que foi suspenso pela directora da DREN, acusado a partir de uma denúncia por ter insultado o primeiro-ministro.
Ora bem, temos portanto um professor que faz um insulto ao primeiro-ministro (algo que já se transformou numa moda nacional há uma data de anos), outro que o denuncia e uma professora que decide punir o primeiro com base numa denúncia. Creio que a classe dos professores sai mais maltratada do que a reputação do primeiro-ministro. Mas quem sou eu para decidir isto.
Se a moda pega voltamos ao tempo do antigo regime e dos primeiros anos pós-25 de Abril. Nesta altura o cartoonista Augusto Cid lançou um conjunto de livros onde caricaturava algumas figuras dos governos de então, nomeadamente Ramalho Eanes, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Estes livros eram apreendidos pouco tempo depois de chegarem ao mercado, o que lembra um pouco o caso do Prof. Charrua.
E que dizer também do fim do programa dos Gato Fedorento? Foi premeditado ou terá incomodado alguém com poder para "carregar no botão"?
De qualquer forma, vivemos tempos difíceis. Não os tornem ainda mais dificeis...
quinta-feira, maio 31, 2007
segunda-feira, maio 28, 2007
46. A travessia do deserto
Mário Lino, o mesmo ministro que veio a público comer mioleira de vaca e dizer que era "perfeitamente seguro", contradizendo assim todos os estudiosos da área, vem agora afirmar publicamente que "a sul do Tejo era um deserto" e defendendo o futuro aeroporto da Ota numa zona pantanosa e de nidificação de toda a espécie de aves.
Quais serão os pré-requisitos para se ser ministro, além da mais profunda estupidez?
Quais serão os pré-requisitos para se ser ministro, além da mais profunda estupidez?
45. Era uma vez um canal privado...
Era uma vez um canal privado num paraíso chamado Venezuela. Acusado de estar implicado no golpe de estado que tentou tirar o poder a Chavez.
E agora, Venezuela? Que mais vais perder?
E agora, Venezuela? Que mais vais perder?
44. Má sorte
Dizem as "boas línguas" que a sorte existe. As más linguas dizem-no também, e mais amíude, talvez por experiência própria...
No outro dia vi um filme chamado "secrets" e que girava em torno de um conjunto de entrevistas a pessoas que tinham descoberto o segredo da "lei de atracção", a qual não tinham qualquer conotação sexual, esclarecendo apenas um facto que todos pressentimos - tudo o que nos acontece é predestinado, ou resulta da atracção, do nosso estado de espírito.
Se pensarmos bem, isto é verdade. Se olharmos para a maioria dos casais, vemos semelhanças estranhas nos dois, se calhar semelhanças que nem eles próprios sonham ter.
Se estamos tristes atraímos ainda mais tristeza, dizia o filme. Se fosse verdade, uma pessoa que entrasse em depressão chegaria rapidamente ao suícidio. Se estamos felizes atrairemos mais felicidade.
Tive um caso prático hoje de manhã, na qual me sentia um lixo, numa segunda-feira antes de ir para o emprego. Como cheguei cedo, decidi ir ao centro tomar o pequeno almoço a um café diferente, um perfeito "mimo" para o ego. A ver se o levantava, tipo "viagra". Tarefa dificil nos tempos que correm...
Chegando ao café, estavam todos na penumbra, armados de esfregonas. A montra cheia de bolos abriu-me o apetite e pedi um lanche misto e um pingo directo. A senhora explicou-me, com um ar talvez mais arrasado do que o meu, que tinham sofrido uma inundação provocada pelo rebentamento de um cano. Por isso não podia fazer café, pelo que me serviu um nescafé com uma cafeteira mínuscula de leite.
A pergunta é, se um estivesse de bom humor, teria o cano rebentado?
Este pensamento simples alegrou-me o resto do dia. Não fosse acontecer uma tragédia.
(Afinal a tragédia aconteceu - saltei a numeração dos posts e mandei o 43 para o c...lho. Paciência assim tem mais piada.)
No outro dia vi um filme chamado "secrets" e que girava em torno de um conjunto de entrevistas a pessoas que tinham descoberto o segredo da "lei de atracção", a qual não tinham qualquer conotação sexual, esclarecendo apenas um facto que todos pressentimos - tudo o que nos acontece é predestinado, ou resulta da atracção, do nosso estado de espírito.
Se pensarmos bem, isto é verdade. Se olharmos para a maioria dos casais, vemos semelhanças estranhas nos dois, se calhar semelhanças que nem eles próprios sonham ter.
Se estamos tristes atraímos ainda mais tristeza, dizia o filme. Se fosse verdade, uma pessoa que entrasse em depressão chegaria rapidamente ao suícidio. Se estamos felizes atrairemos mais felicidade.
Tive um caso prático hoje de manhã, na qual me sentia um lixo, numa segunda-feira antes de ir para o emprego. Como cheguei cedo, decidi ir ao centro tomar o pequeno almoço a um café diferente, um perfeito "mimo" para o ego. A ver se o levantava, tipo "viagra". Tarefa dificil nos tempos que correm...
Chegando ao café, estavam todos na penumbra, armados de esfregonas. A montra cheia de bolos abriu-me o apetite e pedi um lanche misto e um pingo directo. A senhora explicou-me, com um ar talvez mais arrasado do que o meu, que tinham sofrido uma inundação provocada pelo rebentamento de um cano. Por isso não podia fazer café, pelo que me serviu um nescafé com uma cafeteira mínuscula de leite.
A pergunta é, se um estivesse de bom humor, teria o cano rebentado?
Este pensamento simples alegrou-me o resto do dia. Não fosse acontecer uma tragédia.
(Afinal a tragédia aconteceu - saltei a numeração dos posts e mandei o 43 para o c...lho. Paciência assim tem mais piada.)
sábado, maio 26, 2007
42. Flashfront
De vez em quando surgem conceitos novos, ou pelo menos raros, em televisão ou cinema mas como estamos absorvidos pelo enredo por vezes não nos apercebemos. Tal como na vida - existem pequenos milagres diários dos quais só nos apercebemos se prestarmos muita atenção a tudo o que nos rodeia. O problema é que na vida actual tudo avança a uma velocidade tal que não temos tempo para estas pequenas coisas que no final é aquilo que traz algum sabor à nossa existência.
Vi ontem o último episódio da terceira temporada da série Lost, com a mesma fome de quem não come à mais de quinze dias. Como é hábito, ao longo do episódio desenrola-se uma história paralela sobre um dos personagens, sob a forma de um flashback. Ou seja, uma história sobre a vida passada, o que funciona muito bem depois de nos habituarmos.
Neste último episódio, e mais concretamente no último minuto, apercebemo-nos de que estivemos a ver não um aspecto da vida passada do Jack, ou seja um flashback, mas sim um "flashfront", nome inventado por mim, porque neste caso a história se passa no futuro, já fora da ilha, e revelando apenas os pormenores necessários para esperarmos ansiosamente pela quarta temporada, a qual se vai desenrolar no mesmo formato do 24.
Fabuloso e ao mesmo tempo imperdível, mas como sempre, apenas para os apreciadores. Como um bom whisky.
Vi ontem o último episódio da terceira temporada da série Lost, com a mesma fome de quem não come à mais de quinze dias. Como é hábito, ao longo do episódio desenrola-se uma história paralela sobre um dos personagens, sob a forma de um flashback. Ou seja, uma história sobre a vida passada, o que funciona muito bem depois de nos habituarmos.
Neste último episódio, e mais concretamente no último minuto, apercebemo-nos de que estivemos a ver não um aspecto da vida passada do Jack, ou seja um flashback, mas sim um "flashfront", nome inventado por mim, porque neste caso a história se passa no futuro, já fora da ilha, e revelando apenas os pormenores necessários para esperarmos ansiosamente pela quarta temporada, a qual se vai desenrolar no mesmo formato do 24.
Fabuloso e ao mesmo tempo imperdível, mas como sempre, apenas para os apreciadores. Como um bom whisky.
quarta-feira, maio 09, 2007
41. Post Sem título
Não consegui dar um titulo a este post, tal como não tenho palavras para descrever o que sinto quando ouço as atrocidades que acontecem a crianças.
Sendo pai de duas crianças, de 3 e 9 anos, não me consigo pôr no lugar de determinados pais, mesmo sabendo que pode acontecer a todos. Falo de Madeleine, a menina Inglesa raptada da casa onde estava a dormir em Lagos. Não faz sentido. E as autoridades que não sacudam as culpas porque demoraram onze horas até fecharem as fronteiras.
Mas existem outros casos, menos mediáticos mas mais dramáticos. Um menino de 4 anos, filho de um funcionário de um cliente da minha empresa, tem Leucemia, com prognostico muito reservado.
Hoje ao abrir o jornal, vejo no obituário a notícia do falecimento de uma criança de 5 anos.
E nós aqui, a lutarmos pelas nossas vidinhas, muitas vezes consumidos por considerações fúteis.
Não faz sentido nenhum.
Sendo pai de duas crianças, de 3 e 9 anos, não me consigo pôr no lugar de determinados pais, mesmo sabendo que pode acontecer a todos. Falo de Madeleine, a menina Inglesa raptada da casa onde estava a dormir em Lagos. Não faz sentido. E as autoridades que não sacudam as culpas porque demoraram onze horas até fecharem as fronteiras.
Mas existem outros casos, menos mediáticos mas mais dramáticos. Um menino de 4 anos, filho de um funcionário de um cliente da minha empresa, tem Leucemia, com prognostico muito reservado.
Hoje ao abrir o jornal, vejo no obituário a notícia do falecimento de uma criança de 5 anos.
E nós aqui, a lutarmos pelas nossas vidinhas, muitas vezes consumidos por considerações fúteis.
Não faz sentido nenhum.
40. Serial Killer
Ontem o Nuno Markl comentou um facto ao qual tenho de dar razão. Dizia ele na Antena 3 que os Americanos deveriam começar a fazer séries más. Isto porque a qualidade das séries que estão a dar actualmente é tão grande e prendem de tal forma que é rara a noite em que não dê um novo episódio num qualquer canal.
Dizia ele também que isto não se passava se fosse o Barco do Amor.
Ou o Michael Knight ("Kit, venha me buscar").
Dizia ele também que isto não se passava se fosse o Barco do Amor.
Ou o Michael Knight ("Kit, venha me buscar").
quinta-feira, maio 03, 2007
39. Anteriormente, neste blog
É assim que começam todos os episódios da famigerada série "Perdidos". Previously on Lost.
Quando começou a dar na TV, só apanhei a partir do quarto ou quinto episódio da 1ª série, pelo que fiquei completamente confuso e completamente averso à série. Não entendia como é que tanta gente conseguia gostar daquilo.
Recentemente comecei a ver os episódios seguidos da primeira série, a partir do primeiro, e finalmente entendi que a confusão que sentira anteriormente era propositada e estudada ao pormenor. Vi (ou seja devorei) cada episódio como se não houvesse amanhã, ficando acordado até ser vencido pela exaustão, ansiando sempre por mais um episódio. Até que fiquei bloqueado no último episódio da 2ª série - um problema qualquer bloqueava este episódio. O meu alto estado de ansiedade levou-me à conclusão de que aquilo era uma droga, criava habituação. O meu organismo estava viciado na adrenalina causada por cada episódio. O facto de não conseguir ver o climax da 2ª série fez-me acordar.
Estava a ser manipulado. Porquê e por quem? Uma pesquisa rápida na net deu-me a perceber parte da história. No fim da década de 90, a televisão estava moribunda pela estagnação causada pela repetição dos mesmos modelos. Eis que surgem séries de grande qualidade, das quais Lost, Donas de Casa Desesperadas, 24, Prison Break são alguns modelos. Como linha comum têm uma história que se prolonga no tempo sem perder nunca a tensão. Para isto são necessários enredos de qualidade, que não percam o interesse, bem como actores competentes.
A primeira série de Lost, é, a meu ver, do melhor que se fez em televisão. O expectador (e nunca esta palavra levou tão longe o sentido de expectar), ganha uma familiaridade tal com as personagens que facilmente nos transportamos para a ilha. Ninguém é perfeito. O meu elemento favorito? Hurley.
Alguns pormenores interessantes que descobri:
(1) O episódio piloto foi o mais caro de sempre feito para televisão. Custou entre 10 e 14 milhões de dólares e o lugar do executivo que assinou o projecto. Como é hábito, todas as revoluções reclamam as suas vítimas.
(2) Com todos os milhões envolvidos, ninguém se lembrou de alterar o genérico inicial, que qualquer pessoal a tirar um curso de 3d Studio consegue fazer na primeira aula. E sem o defeito no S. Se reparem bem, a perna do S torna-se transparente à medida que se aproxima. Mas isto marca a diferença. Não se pretende nada que interfira com a tensão.
(3) A boazona da Kate está noiva de um dos actores da série. Quem será? Dado que ela se está a atirar tanto ao Jack como ao Sawyer, é dificil ver. Será ao Jack? Será ao Sawyer? Acertaram. A boazona da Kate está noiva do Charlie. O palermóide que entrou no Senhor dos Anéis e que aqui é o drogado de serviço.
(4) Na terceira série entra o actor Brasileiro Rodrigo Santoro. Este facto encheu de orgulho o nosso pais irmão. Mas poucos episódios aguentou, porque foi mal aceite pelo público. E como foi mal aceite, saíu tão rápido como entrou, mas de uma forma mais brutal: foi enterrado vivo. Mesmo assim o pobre coitado teve a oportunidade de fazer de Xerxes no filme "300".
Ou seja, voltamos ao espírito das séries intermináveis que davam nos anos 70 (género "O Fugitivo"), que nunca chegavam ao seu climax. Reinventámos a roda e ainda assim eles chamam isto de revolução. Recuso-me a ser manipulado. É fácil ver na net os resumos de cada episódio. Na wikipedia basta procurar por Lost e por Spoilers.
Um pormenor interessante em volta de isto é o aumento do interesse pelas pessoas em volta das séries. Antigamente as pessoas ligavam mais aos filmes do que às séries. A diferença está no tempo em que se condensa o enredo, comprimido em duas horas ou desenvolvendo-se ao longo do tempo. Hoje as pessoas acham compensador gastar dezenas de horas à frente do televisor ou do computador a visionar episódio por episódio das séries.
Passou a ser comum ouvirmos alguém dizer "passei o fim-de-semana a ver a primeira série do 24". Geralmente é fácil vermos as pessoas que fazem isto - têm os olhos do tamanho de azeitonas rodeados por grandes manchas negras de cansaço. Para aliviar a sobrecarga de adrenalina passam uma semana a bater com a cabeça na parede.
Mas se é adrenalina e uma experiência mais duradoura de imersão, porque não ler um bom livro? Façam-no e aproveitem melhor o tempo.
Sejam manipulados em grande estilo.
Quando começou a dar na TV, só apanhei a partir do quarto ou quinto episódio da 1ª série, pelo que fiquei completamente confuso e completamente averso à série. Não entendia como é que tanta gente conseguia gostar daquilo.
Recentemente comecei a ver os episódios seguidos da primeira série, a partir do primeiro, e finalmente entendi que a confusão que sentira anteriormente era propositada e estudada ao pormenor. Vi (ou seja devorei) cada episódio como se não houvesse amanhã, ficando acordado até ser vencido pela exaustão, ansiando sempre por mais um episódio. Até que fiquei bloqueado no último episódio da 2ª série - um problema qualquer bloqueava este episódio. O meu alto estado de ansiedade levou-me à conclusão de que aquilo era uma droga, criava habituação. O meu organismo estava viciado na adrenalina causada por cada episódio. O facto de não conseguir ver o climax da 2ª série fez-me acordar.
Estava a ser manipulado. Porquê e por quem? Uma pesquisa rápida na net deu-me a perceber parte da história. No fim da década de 90, a televisão estava moribunda pela estagnação causada pela repetição dos mesmos modelos. Eis que surgem séries de grande qualidade, das quais Lost, Donas de Casa Desesperadas, 24, Prison Break são alguns modelos. Como linha comum têm uma história que se prolonga no tempo sem perder nunca a tensão. Para isto são necessários enredos de qualidade, que não percam o interesse, bem como actores competentes.
A primeira série de Lost, é, a meu ver, do melhor que se fez em televisão. O expectador (e nunca esta palavra levou tão longe o sentido de expectar), ganha uma familiaridade tal com as personagens que facilmente nos transportamos para a ilha. Ninguém é perfeito. O meu elemento favorito? Hurley.
Alguns pormenores interessantes que descobri:
(1) O episódio piloto foi o mais caro de sempre feito para televisão. Custou entre 10 e 14 milhões de dólares e o lugar do executivo que assinou o projecto. Como é hábito, todas as revoluções reclamam as suas vítimas.
(2) Com todos os milhões envolvidos, ninguém se lembrou de alterar o genérico inicial, que qualquer pessoal a tirar um curso de 3d Studio consegue fazer na primeira aula. E sem o defeito no S. Se reparem bem, a perna do S torna-se transparente à medida que se aproxima. Mas isto marca a diferença. Não se pretende nada que interfira com a tensão.
(3) A boazona da Kate está noiva de um dos actores da série. Quem será? Dado que ela se está a atirar tanto ao Jack como ao Sawyer, é dificil ver. Será ao Jack? Será ao Sawyer? Acertaram. A boazona da Kate está noiva do Charlie. O palermóide que entrou no Senhor dos Anéis e que aqui é o drogado de serviço.
(4) Na terceira série entra o actor Brasileiro Rodrigo Santoro. Este facto encheu de orgulho o nosso pais irmão. Mas poucos episódios aguentou, porque foi mal aceite pelo público. E como foi mal aceite, saíu tão rápido como entrou, mas de uma forma mais brutal: foi enterrado vivo. Mesmo assim o pobre coitado teve a oportunidade de fazer de Xerxes no filme "300".
Ou seja, voltamos ao espírito das séries intermináveis que davam nos anos 70 (género "O Fugitivo"), que nunca chegavam ao seu climax. Reinventámos a roda e ainda assim eles chamam isto de revolução. Recuso-me a ser manipulado. É fácil ver na net os resumos de cada episódio. Na wikipedia basta procurar por Lost e por Spoilers.
Um pormenor interessante em volta de isto é o aumento do interesse pelas pessoas em volta das séries. Antigamente as pessoas ligavam mais aos filmes do que às séries. A diferença está no tempo em que se condensa o enredo, comprimido em duas horas ou desenvolvendo-se ao longo do tempo. Hoje as pessoas acham compensador gastar dezenas de horas à frente do televisor ou do computador a visionar episódio por episódio das séries.
Passou a ser comum ouvirmos alguém dizer "passei o fim-de-semana a ver a primeira série do 24". Geralmente é fácil vermos as pessoas que fazem isto - têm os olhos do tamanho de azeitonas rodeados por grandes manchas negras de cansaço. Para aliviar a sobrecarga de adrenalina passam uma semana a bater com a cabeça na parede.
Mas se é adrenalina e uma experiência mais duradoura de imersão, porque não ler um bom livro? Façam-no e aproveitem melhor o tempo.
Sejam manipulados em grande estilo.
segunda-feira, abril 23, 2007
38. Bombástico!
Num era de mediocridade, estamos de estar atentos a tudo o que sobressai, sob pena de chegarmos ao fim da década e de respondermos com um encolher de ombros aos putos da altura que nos perguntarem sobre como foi esta década. Um bocado como os anos noventa. O que foi a melhor coisa que aconteceu nos anos noventa? Só o início do revivalismo dos "loucos" anos 80, anos em que começamos realmente a gozar a nossa liberdade.
Vem isto a propósito do programa dos Gato Fedorento que deu no domingo, e em especial uma rábula sobre o "Dr. House", onde debatiam o caso do joelho do Mantorras. Ou seja, de uma assentada, quatro coisas de que gosto ou que me dizem muito:
Vem isto a propósito do programa dos Gato Fedorento que deu no domingo, e em especial uma rábula sobre o "Dr. House", onde debatiam o caso do joelho do Mantorras. Ou seja, de uma assentada, quatro coisas de que gosto ou que me dizem muito:
- Gato Fedorento, quatro corajosos que lutam contra o tempo e contra o marasmo deste país. É um trabalho sujo fazer rir, mas alguém tem de o fazer. E da forma que o estão a fazer é bem possível que lhes faça mal à saúde.
- Dr.House, porque é uma série bem escrita que tem o equilibrio em todas as frentes.
- Humor, porque a vida não é só tristezas.
- Benfica, porque gosto de sofrer todos os anos, sei lá.
No fim da rábula, sugeriram "provocar um aborto histérico" na eventual "gravidez histérica" do Mantorras, e quando iam a iniciar o "tratamento" recebem um telefonema a relatar que o cartão da "Médis Angolana" já não era válido no nosso país.
domingo, abril 22, 2007
37. Grafittis e consumismo
Fui passar o fim de semana a Lisboa. Algo que faço com alguma regularidade para desenjoar da "nortalidade". De tudo o que vi ficaram-me duas imagens muito vincadas.
A primeira tem a ver com a quantidade enorme de grafittis que existe em tudo o que é lado. E o pior é que ninguém se lembra de dizer, antes que não fique uma parede de um monumento por estragar, que aquilo é crime. À alguns anos aconteceu a mesma coisa, mas houve uma campanha televisiva que mostrou que não se devia fazer, e a coisa acalmou, agora, só porque numa dessas séries que ninguém vê mas todos sabem, um puto fazia grafittis, pimba! Tudo o que é parede já está sarrabiscada. Ou então aprendam a fazê-lo bem.
A segunda coisa que guardei na memória foi a resposta que uma mãe deu à filha que queria que lhe comprasse qualquer coisa: "Ora, a menina não seja consumista!". A miuda não teria mais de quatro ou cinco anos, e para ela vai a minha mensagem de apoio. Com respostas destas não admira que as pessoas se tornem psicopatas...
A primeira tem a ver com a quantidade enorme de grafittis que existe em tudo o que é lado. E o pior é que ninguém se lembra de dizer, antes que não fique uma parede de um monumento por estragar, que aquilo é crime. À alguns anos aconteceu a mesma coisa, mas houve uma campanha televisiva que mostrou que não se devia fazer, e a coisa acalmou, agora, só porque numa dessas séries que ninguém vê mas todos sabem, um puto fazia grafittis, pimba! Tudo o que é parede já está sarrabiscada. Ou então aprendam a fazê-lo bem.
A segunda coisa que guardei na memória foi a resposta que uma mãe deu à filha que queria que lhe comprasse qualquer coisa: "Ora, a menina não seja consumista!". A miuda não teria mais de quatro ou cinco anos, e para ela vai a minha mensagem de apoio. Com respostas destas não admira que as pessoas se tornem psicopatas...
sexta-feira, abril 20, 2007
36. Pânico na Universidade
Esta semana foi notícia o massacre perpetrado na Universidade Técnica da Virginia por um estudante de Inglês, de origem Sul-Coreana. O rapaz que se suicidou após ter matado 32 alunos e professores, começou por matar dois alunos na residência universitária, depois ainda teve tempo para ir aos correios enviar um conjunto de vídeos e fotografias à NBC e posteriormente dirigiu-se à universidade para continuar a matança.
Tudo indica que o rapaz sofria de problemas mentais e que tinha dificuldade em se relacionar com os demais, fruto da sua condição de estrangeiro e do seu pouco domínio da língua. Por alguma razão estava a estudar inglês. O mal deste caso em concreto reside no facto dos colegas o perseguirem activamente.
Pergunta:
Que sociedade é que permite que alguém com problemas mentais já identificados possa comprar armas?
Tendo ele indicado no material que enviou à NBC uma referência ao tristemente célebre massacre de Columbine, e brilhantemente retratado pelo documentário de Moore, significa que vai haver alguém que tentará ultrapassar o massacre de Vírginia?
Porque carga de água é que apareceram em todos os jornais a fotografia dele empunhando as duas armas?
Pondo de lado a hipótese de ter usado um suporte, quem tirou esta fotografia?
E quando é que os Estados Unidos aprendem que com armas não se brinca?
Estou mesmo a ver o diálogo que o puto teve com a pessoa que lhe vendeu as armas. Deve ter sido algo como:
- Bom dia, pretendia comprar uma arma.
- Sim senhor, é para defesa pessoal, caça ou massacre.
- Massacre.
- Pois muito bem. Para massacre tenho estas muito boas. Estão em promoção. Pelo preço de uma leva duas. E pensa suicidar-se no fim?
- Ah...sim...
- Então se não se importa o pagamento terá de ser feito em dinheiro. Ordens do patrão.
- Com certeza. E já agora o senhor não se importava de me tirar uma fotografia com as armas? É para mandar para a minha mãezinha...
Tudo indica que o rapaz sofria de problemas mentais e que tinha dificuldade em se relacionar com os demais, fruto da sua condição de estrangeiro e do seu pouco domínio da língua. Por alguma razão estava a estudar inglês. O mal deste caso em concreto reside no facto dos colegas o perseguirem activamente.
Pergunta:
Que sociedade é que permite que alguém com problemas mentais já identificados possa comprar armas?
Tendo ele indicado no material que enviou à NBC uma referência ao tristemente célebre massacre de Columbine, e brilhantemente retratado pelo documentário de Moore, significa que vai haver alguém que tentará ultrapassar o massacre de Vírginia?
Porque carga de água é que apareceram em todos os jornais a fotografia dele empunhando as duas armas?
Pondo de lado a hipótese de ter usado um suporte, quem tirou esta fotografia?
E quando é que os Estados Unidos aprendem que com armas não se brinca?
Estou mesmo a ver o diálogo que o puto teve com a pessoa que lhe vendeu as armas. Deve ter sido algo como:
- Bom dia, pretendia comprar uma arma.
- Sim senhor, é para defesa pessoal, caça ou massacre.
- Massacre.
- Pois muito bem. Para massacre tenho estas muito boas. Estão em promoção. Pelo preço de uma leva duas. E pensa suicidar-se no fim?
- Ah...sim...
- Então se não se importa o pagamento terá de ser feito em dinheiro. Ordens do patrão.
- Com certeza. E já agora o senhor não se importava de me tirar uma fotografia com as armas? É para mandar para a minha mãezinha...
terça-feira, abril 10, 2007
35. Páscoa
Nunca liguei muito à Páscoa, mas este ano foi especialmente morta. Poderiamos pensar que isso tivesse a ver com a perda das tradições, mas não. Grande parte das pessoas da minha freguesia, em resposta à polémica do padre que comprou um carro de grande cilindrada, não abriu a porta ao compasso.
O pároco de uma freguesia vizinha tem um BMW, mas isso não é notícia, porque hoje em dia ter um BMW já se tornou um facto banalizado...
O pároco de uma freguesia vizinha tem um BMW, mas isso não é notícia, porque hoje em dia ter um BMW já se tornou um facto banalizado...
34. Sacristão
Vou contar uma anedota que ouvi este fim-de-semana, e que é aparentada com uma anedota similar que corre pela net sobre um funcionário da Microsoft...
Era uma vez um sacristão que era muito bom sacristão, até ao dia em que lhe dizem que tinha saído uma lei que só permitia sacristãos com a 4ª classe. O nosso bom homem deixou então de ser sacristão e procurou outro trabalho. Perto da igreja é abordado por um índividuo que lhe perguntou se sabia onde havia uma tabacaria, ao que o sacristão indicou a tabacaria mais próxima, que ficava bastante longe. Tem uma ideia brilhante. Podia ser um bom negócio montar perto da igreja uma tabacaria. Pegou nas suas economias e abriu uma tabacaria, que teve tanto sucesso que passado pouco tempo ele desatou a abrir tabacarias, todas próximas de Igrejas para servir o pessoal que ía à missa.
Um dia foi entrevistado pela televisão, que lhe perguntou "se mesmo não tendo a 4ª classe, o que seria ele se a tivesse"?
Ao que ele respondeu "Se tivesse a 4ª classe seria sacristão".
Era uma vez um sacristão que era muito bom sacristão, até ao dia em que lhe dizem que tinha saído uma lei que só permitia sacristãos com a 4ª classe. O nosso bom homem deixou então de ser sacristão e procurou outro trabalho. Perto da igreja é abordado por um índividuo que lhe perguntou se sabia onde havia uma tabacaria, ao que o sacristão indicou a tabacaria mais próxima, que ficava bastante longe. Tem uma ideia brilhante. Podia ser um bom negócio montar perto da igreja uma tabacaria. Pegou nas suas economias e abriu uma tabacaria, que teve tanto sucesso que passado pouco tempo ele desatou a abrir tabacarias, todas próximas de Igrejas para servir o pessoal que ía à missa.
Um dia foi entrevistado pela televisão, que lhe perguntou "se mesmo não tendo a 4ª classe, o que seria ele se a tivesse"?
Ao que ele respondeu "Se tivesse a 4ª classe seria sacristão".
sexta-feira, abril 06, 2007
33. Insensibilidade
Deu na passada quinta-feira, a horas impróprias como é hábito, mais um episódio do Dr. House. Sendo completamente fanático pela série estou sempre na dúvida entre o perder um episódio e estar bem disposto na sexta-feira de manhã. Desta vez o episódio centrou-se numa adolescente com uma doença que se denomina por Congenital insensitivity to pain with anhidrosis (CIPA). A CIPA faz com que as pessoas não consigam sentir dor nem diferenças de temperatura. Pelos vistos existem apenas 60 doentes nos Estados Unidados.
E pelo menos um caso em Portugal. Em Lisboa trabalhei com uma senhora que não conseguia sentir dor. Quando tinha de ir ao dentista, nem sequer precisava de anestesia (será que pagava menos por isso?). Segundo dizia ela, não conseguia sentir dor, apenas tonturas. O mais interessante neste caso era o apelido da senhora: "Dores".
Tem tudo a ver...
E pelo menos um caso em Portugal. Em Lisboa trabalhei com uma senhora que não conseguia sentir dor. Quando tinha de ir ao dentista, nem sequer precisava de anestesia (será que pagava menos por isso?). Segundo dizia ela, não conseguia sentir dor, apenas tonturas. O mais interessante neste caso era o apelido da senhora: "Dores".
Tem tudo a ver...
terça-feira, abril 03, 2007
32. India
Para quem se interessa minimamente pela religião, não pode deixar de visitar o site www.tombofjesus.com, onde encontramos uma série de provas documentais da presença de Jesus na Índia logo a seguir à crucificação. Brutal.
segunda-feira, abril 02, 2007
31. Padre a alta velocidade
Estava-me a preparar para falar sobre a semana santa quando rebenta a bomba. O padre da minha freguesia anda, ou melhor, corre na boca do mundo. A história é simples, sendo padre de três paróquias, o Pe. António Rodrigues tem frequentemente de correr de missa para missa, pelo que decidiu comprar um carro adequado, um Ford Fiesta 200 ST. A associação de cidadãos auto-mobilizados decidiu queixar-se ao mais alto nível, enviando um comunicado às mais altas instâncias da Igreja, entre eles Bento XVI. Se for verdade que ele corre na A25, é, a meu ver grave, mas fora isso só demonstra ser um homem como os outros.
Não resisto a colocar aqui o comunicado que pode ser encontrado em www.aca-m.com
Comunicado de 2007/03/22
Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.
A Sua Santidade o Papa Bento XVI
Sumo Pontífice da Igreja Católica
A Sua Eminência Reverendíssima Dom Jorge da Costa Ortiga,
Arcebispo de Braga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa
A Sua Eminência Reverendíssima Dom Alfio Rapisarda
Núncio Apostólico da Cúria Romana em Portugal
A Sua Excelência Reverendíssima
Dom Ilídio Pinto Leandro
Bispo de Viseu
A Sua Reverência Padre António Rodrigues
Pároco do Couto do Mosteiro
Dirigimo-nos a V. Santidade para apresentar o seguinte pleito:
O comportamento rodoviário anti-social do sr. Padre António Rodrigues, pároco do Couto do Mosteiro, em Santa Comba Dão, foi noticiado ontem, dia 21/03/07, em alguns jornais diários portugueses (Público, p. 14, “Um padre movido a fé e adrenalina”, 24 Horas, p. 21, “O padre tem uma máquina... dos diabos”).
O sr. Padre António Rodrigues orgulha-se de ser proprietário de uma “autêntica bomba”, um Ford Fiesta 200 ST de 150 cavalos de potência, adquirido “no estrangeiro”, e de “andar no picanço na A25” (competir com outros utentes daquela que já foi conhecida internacionalmente como a “estrada da morte”, tantas foram as vítimas mortais naquele trajecto).
O sr. Padre António Rodrigues, que afirma gostar da “adrenalina provocada pela velocidade” e “de sentir a potência debaixo do pé”, vangloria-se ainda de o seu automóvel chegar facilmente aos 210km/h, acrescentando que “Graças a Deus” nunca foi multado, e que, antes de padre é um ser humano.
Finalmente, admite que utiliza o seu carro para levar os jovens [das aldeias] a “dar uma volta”, e para “chegar a tempo às 3 igrejas da paróquia” (que distam entre si não mais que 13 km).Foi com horror que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados tomou conhecimento destas notícias. E é com natural incómodo que nos dirigimos a V. Santidade para notar que:
1) Um padre é um cidadão. Nesse sentido, não pode colocar os seus deveres de padre (chegar a horas às diferentes igrejas onde oficia, transportar jovens entre aldeias) à frente dos de cidadão. Numa palavra, não se pode colocar acima da lei da república portuguesa.
2) Um padre católico é um homem, mas antes de ser homem é padre. Caso pusesse o ser “homem normal” antes do sacerdócio, não haveria motivo para cumprir o princípio do Celibato. Ora um padre tem de dar o exemplo, porque nele o Sentido Ético é o mais importante.
3) Um padre é um predicador – não por acaso é tantas vezes também professor de Religião e Moral. Um guia espiritual que molda o comportamento e valores de outrém.
4) Um padre é, sine qua non, um modelo de virtudes – não pode ser um repositório de pecados.O arrepiante comportamento descrito nas notícias testemunha um deslumbramento ingénuo pela velocidade, pela ilegalidade, e pela irresponsabilidade social, que é seguramente condenável pela hierarquia da Igreja católica. Mais ainda, o sr. Padre António Rodrigues parece crer, na sua cega vaidade, que a providência divina o favorece, permitindo-lhe fugir às sanções judiciárias humanas.
Como ele diz: “Graças a Deus, não [sei] o que é uma multa”.
Acreditamos que o sr. Padre António Rodrigues não esteja agindo de má fé, e acreditamos ele conseguirá arrepiar caminho e compreender quão longe se encontra hoje dos valores implícitos no sacerdócio que assumiu. Vimos assim pedir a V. Santidade que ajude este infeliz pároco a ponderar a gravidade dos seus actos e a imodéstia das suas palavras, e a resistir às tentações conjugadas da velocidade e da vanglória.
Despedimo-nos respeitosamente.Direcção da ACA-MLisboa, 21/03/07
Ecos na imprensa internacional:
Rev isn't always short for reverend, Reuters, 26 de Março.
Grupo pede que padre resista às tentações da velocidade, O Globo Online, 26 de Março.
Caso do padre que tem carro turbinado vai parar no Vaticano, G1, 27 de Março.
Portuguese priest gets chastised for indulging in sporty car, Autoblog, 27 de Março.
Speeding priest prompts complaint to the Pope, Gulf Times, 27 de Março.
Pope urged to put the brakes on racy priest, Business Report, 27 de Março.
'Speed freak' priest, The Mercury, 27 de Março.
Priest's car passeth all understanding, Saturday Star, 27 de Março.
No more revving for racing reverend, Ottawa Sun, 27 de Março.
Não resisto a colocar aqui o comunicado que pode ser encontrado em www.aca-m.com
Comunicado de 2007/03/22
Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.
A Sua Santidade o Papa Bento XVI
Sumo Pontífice da Igreja Católica
A Sua Eminência Reverendíssima Dom Jorge da Costa Ortiga,
Arcebispo de Braga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa
A Sua Eminência Reverendíssima Dom Alfio Rapisarda
Núncio Apostólico da Cúria Romana em Portugal
A Sua Excelência Reverendíssima
Dom Ilídio Pinto Leandro
Bispo de Viseu
A Sua Reverência Padre António Rodrigues
Pároco do Couto do Mosteiro
Dirigimo-nos a V. Santidade para apresentar o seguinte pleito:
O comportamento rodoviário anti-social do sr. Padre António Rodrigues, pároco do Couto do Mosteiro, em Santa Comba Dão, foi noticiado ontem, dia 21/03/07, em alguns jornais diários portugueses (Público, p. 14, “Um padre movido a fé e adrenalina”, 24 Horas, p. 21, “O padre tem uma máquina... dos diabos”).
O sr. Padre António Rodrigues orgulha-se de ser proprietário de uma “autêntica bomba”, um Ford Fiesta 200 ST de 150 cavalos de potência, adquirido “no estrangeiro”, e de “andar no picanço na A25” (competir com outros utentes daquela que já foi conhecida internacionalmente como a “estrada da morte”, tantas foram as vítimas mortais naquele trajecto).
O sr. Padre António Rodrigues, que afirma gostar da “adrenalina provocada pela velocidade” e “de sentir a potência debaixo do pé”, vangloria-se ainda de o seu automóvel chegar facilmente aos 210km/h, acrescentando que “Graças a Deus” nunca foi multado, e que, antes de padre é um ser humano.
Finalmente, admite que utiliza o seu carro para levar os jovens [das aldeias] a “dar uma volta”, e para “chegar a tempo às 3 igrejas da paróquia” (que distam entre si não mais que 13 km).Foi com horror que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados tomou conhecimento destas notícias. E é com natural incómodo que nos dirigimos a V. Santidade para notar que:
1) Um padre é um cidadão. Nesse sentido, não pode colocar os seus deveres de padre (chegar a horas às diferentes igrejas onde oficia, transportar jovens entre aldeias) à frente dos de cidadão. Numa palavra, não se pode colocar acima da lei da república portuguesa.
2) Um padre católico é um homem, mas antes de ser homem é padre. Caso pusesse o ser “homem normal” antes do sacerdócio, não haveria motivo para cumprir o princípio do Celibato. Ora um padre tem de dar o exemplo, porque nele o Sentido Ético é o mais importante.
3) Um padre é um predicador – não por acaso é tantas vezes também professor de Religião e Moral. Um guia espiritual que molda o comportamento e valores de outrém.
4) Um padre é, sine qua non, um modelo de virtudes – não pode ser um repositório de pecados.O arrepiante comportamento descrito nas notícias testemunha um deslumbramento ingénuo pela velocidade, pela ilegalidade, e pela irresponsabilidade social, que é seguramente condenável pela hierarquia da Igreja católica. Mais ainda, o sr. Padre António Rodrigues parece crer, na sua cega vaidade, que a providência divina o favorece, permitindo-lhe fugir às sanções judiciárias humanas.
Como ele diz: “Graças a Deus, não [sei] o que é uma multa”.
Acreditamos que o sr. Padre António Rodrigues não esteja agindo de má fé, e acreditamos ele conseguirá arrepiar caminho e compreender quão longe se encontra hoje dos valores implícitos no sacerdócio que assumiu. Vimos assim pedir a V. Santidade que ajude este infeliz pároco a ponderar a gravidade dos seus actos e a imodéstia das suas palavras, e a resistir às tentações conjugadas da velocidade e da vanglória.
Despedimo-nos respeitosamente.Direcção da ACA-MLisboa, 21/03/07
Ecos na imprensa internacional:
Rev isn't always short for reverend, Reuters, 26 de Março.
Grupo pede que padre resista às tentações da velocidade, O Globo Online, 26 de Março.
Caso do padre que tem carro turbinado vai parar no Vaticano, G1, 27 de Março.
Portuguese priest gets chastised for indulging in sporty car, Autoblog, 27 de Março.
Speeding priest prompts complaint to the Pope, Gulf Times, 27 de Março.
Pope urged to put the brakes on racy priest, Business Report, 27 de Março.
'Speed freak' priest, The Mercury, 27 de Março.
Priest's car passeth all understanding, Saturday Star, 27 de Março.
No more revving for racing reverend, Ottawa Sun, 27 de Março.
domingo, abril 01, 2007
30. Mal-entendidos
Três anedotas rápidas para quebrar a banalidade deste blog. O tema são os mal-entendidos, ou como devemos ter cuidado com as palavras que usamos. Por vezes podem ter consequências fatais.
(1)
Noticia no jornal: "Vende-se cão, come de tudo, gosta de crianças"
(2)
Noticia no placard de uma Igreja: "O clube de jovens mães reune-se às quartas-feiras, pelas 21h30. Para ser uma jovem mãe dirija-se ao Sr. Padre."
(3)
Há alguns anos atrás houve um concurso a nível internacional para escolherem a melhor anedota. Algo como a eleição do melhor português, mas com mais piada. Venceu a seguinte:
"Dois caçadores foram caçar para o monte e um deles caiu a um buraco, ficando inconsciente. O outro desce para junto dele e liga pelo telemóvel para o 112.
- O meu amigo caiu e está inconsciente. Que devo fazer? - pergunta o caçador, preocupadíssimo.
- Em primeiro lugar, certifique-se que está morto - respondeu o operador do 112, que ficou à espera de resposta do caçador.
Entretanto ouve-se um tiro do outro lado da linha.
- Já está, e agora?
(1)
Noticia no jornal: "Vende-se cão, come de tudo, gosta de crianças"
(2)
Noticia no placard de uma Igreja: "O clube de jovens mães reune-se às quartas-feiras, pelas 21h30. Para ser uma jovem mãe dirija-se ao Sr. Padre."
(3)
Há alguns anos atrás houve um concurso a nível internacional para escolherem a melhor anedota. Algo como a eleição do melhor português, mas com mais piada. Venceu a seguinte:
"Dois caçadores foram caçar para o monte e um deles caiu a um buraco, ficando inconsciente. O outro desce para junto dele e liga pelo telemóvel para o 112.
- O meu amigo caiu e está inconsciente. Que devo fazer? - pergunta o caçador, preocupadíssimo.
- Em primeiro lugar, certifique-se que está morto - respondeu o operador do 112, que ficou à espera de resposta do caçador.
Entretanto ouve-se um tiro do outro lado da linha.
- Já está, e agora?
29. Pequeno raio-de-luz
Sendo um cinéfilo minimamente interessado, não posso deixar a oportunidade para falar de um filme que vi ontem e que já estava na minha lista de "filmes a não perder" desde que o Markl se fartou de o gabar, ainda antes de se saber que era um dos nomeados aos óscars. Trata-se de um filme independente, de low budget, Miss Little Sunshine, e que conta a história de uma viagem em família.
Dito assim podiamos estar a falar de mais de uma centena de "road trip films", onde um grupo sai do seu elemento e se confronta com situações completamente desconhecidas. No cinema Americano, na maior parte das vezes o que se sucede são gags encaixados furiosamente como quem tenta pôr toda a roupa dentro de uma mala pequena. A coisa raramente funciona.
Miss little sunshine é diferente. Em primeiro lugar é uma comédia dramática, onde tanto podemos estar comovidos com as tristes histórias de cada um dos elementos da família, como no momento seguinte rimos histericamente com as situações colocadas.
Depois há a sensação de familiaridade com cada um dos elementos, todos conhecemos alguém com quem podemos identificar cada um. O avô tem problemas de toxicodependência, o tio é homossexual e maniaco-depressivo, o filho tem o sonho de ingressar na força áerea, e como forma de provar o seu empenho nesse sonho não fala há nove meses. A filha mais nova sonha em fazer parte de um concurso de beleza infantil, embora tenha problemas de peso, o pai é especialista em "promoção pessoal", a tentar lidar com o seu insucesso. A mãe tenta fazer os possíveis para que a família funcione.
O filme fala de uma sociedade que promove a competição, o ganhar a todo o custo, mas através dos dialogos mais intelegentes que se tem visto nos últimos tempos no cinema americano, vamos descobrindo o valor da família e que o vencer não é o mais importante. O que importa é o que ganhamos ao tentar vencer.
Dito assim podiamos estar a falar de mais de uma centena de "road trip films", onde um grupo sai do seu elemento e se confronta com situações completamente desconhecidas. No cinema Americano, na maior parte das vezes o que se sucede são gags encaixados furiosamente como quem tenta pôr toda a roupa dentro de uma mala pequena. A coisa raramente funciona.
Miss little sunshine é diferente. Em primeiro lugar é uma comédia dramática, onde tanto podemos estar comovidos com as tristes histórias de cada um dos elementos da família, como no momento seguinte rimos histericamente com as situações colocadas.
Depois há a sensação de familiaridade com cada um dos elementos, todos conhecemos alguém com quem podemos identificar cada um. O avô tem problemas de toxicodependência, o tio é homossexual e maniaco-depressivo, o filho tem o sonho de ingressar na força áerea, e como forma de provar o seu empenho nesse sonho não fala há nove meses. A filha mais nova sonha em fazer parte de um concurso de beleza infantil, embora tenha problemas de peso, o pai é especialista em "promoção pessoal", a tentar lidar com o seu insucesso. A mãe tenta fazer os possíveis para que a família funcione.
O filme fala de uma sociedade que promove a competição, o ganhar a todo o custo, mas através dos dialogos mais intelegentes que se tem visto nos últimos tempos no cinema americano, vamos descobrindo o valor da família e que o vencer não é o mais importante. O que importa é o que ganhamos ao tentar vencer.
sexta-feira, março 30, 2007
28. Italian love kids...
Este era o slogan patente numa camioneta que vi hoje. Por baixo aparecia uma imagem de crianças vestidas todas da mesma forma, pelo que se imaginava que fosse uma loja de roupa infantil. Certo.
Mas se pusessem um slogan a dizer "Os Portugueses gostam de crianças", até podiam pôr uma fotografia do papa por baixo, que iam todos pensar em porcarias.
Mas se pusessem um slogan a dizer "Os Portugueses gostam de crianças", até podiam pôr uma fotografia do papa por baixo, que iam todos pensar em porcarias.
quinta-feira, março 29, 2007
27. Curva à direita (2ªparte)
Depois da chuva aparecem as coisas mais estranhas à superfície. Depois da estranha vitória do Salazar como o maior português de sempre (pela mesma lógica de ideias, Camões seria um sério candidato ao maior ditador português de sempre), apareceu um caramelo de extrema direita a querer mandar os imigrantes para a terra deles. No cartaz alguém já tinha atirado um balde de tinta "castanha". Seria mesmo tinta?
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